• “Para ti, nascida em Portugal, a liberdade e o orgulho patriótico são coisas que ninguém negou, pelo menos à tua geração”

    Ana França

    Em 2008 andávamos a ouvir a Kate Perry dizer que beijou uma moça e gostou, as principais seleções do mundo começavam a preparar-se para o Mundial da África do Sul e em Portugal governava José Sócrates. A 3600 quilómetros de Lisboa formava-se um país. O Kosovo, a mais pequena nação dos Balcãs que ainda hoje é o segundo país mais pobre da Europa geográfica, nasceu a 17 de fevereiro de 2008, feito de orgulho e de expectativas, algumas irrealistas. Dez anos passados, milhares de milhões de ajuda internacional aqui investida e o reconhecimento de 115 países, é com meio coração e não com o coração inteiro que os kosovares festejam este dia. A adesão à União Europeia é um sonho longínquo. Os mais velhos, os que lutaram ao lado do Exército de Libertação do Kosovo e os que se lembram daquilo que consideram um apartheid em nada diferente daquele que aconteceu na África do Sul, dizem que foi o dia mais feliz das suas vidas. É um país-embrião, um ideal centenário, “um milagre” o que hoje se festeja