• Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não deixa de ser irónico que no dia em que completaria 100 anos e em que se comemora, por iniciativa da ONU, o dia de Mandela, estejamos a viver um período que, comparado aos dias de esperança da sua libertação, bem como o ar do tempo que na altura se vivia, mais pareça uma noite escura

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Quando num referendo, movido pelo populismo e pela demagogia (e a ideia de que seria vencedora a opção europeia), os britânicos decidiram abandonar a União houve desde logo a ideia de que o futuro não seria simples. David Cameron, então primeiro-ministro, abandonou o lugar para Theresa May e um dos grandes opositores da Europa, Boris Johnson chegou aos Negócios Estrangeiros. Este Boris, que se usasse o primeiro nome era um vulgar Alexander, nascido em Nova Iorque, mas de nacionalidade britânica (só em 2016 renunciou à dupla nacionalidade, pois era também norte-americano), é a meu ver a personalização do Brexit. Vejamos porquê

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Enquanto por cá se discute, com afinco e exaltação, se Madonna tem direito a 15 lugares de estacionamento ou se as touradas devem ser proibidas; ou mesmo se as 35 horas semanais não provocarão (como é óbvio provocarão) um caos na Saúde e a greve dos professores (idem, aspas) um caos na Educação, na Polónia há um golpe. Um golpe aparentemente legal, decretado pelo Governo e pelo Presidente, mas cuja resposta firme da Europa (ameaças já houve) não se faz sentir

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O processo chamado Casa Pia está longe de ter acabado. Não falo apenas do processo judicial, mas do processo todo, das feridas que abriu; das brechas que revelou no edifício jurídico; dos males provocados por um desejo de justiça popular; pelo afastamento dos agentes da justiça (nomeadamente alguns magistrados e juízes) do senso comum

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Como é possível não vermos e não temermos o abismo que se abre diante de nós. Não, nada tem a ver com o Governo de Lisboa ou outro próximo; nem sequer com a burocracia europeia ou - mais à esquerda mais à direita - a luta partidária. Tem a ver com a forma quase irresponsável como o discurso político vai sendo feito, como se o abismo não existisse, como se à nossa volta reinasse uma normalidade total

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Descobri hoje que ser independente é não discordar do presidente do Sporting. De modo que, com a lição estudada, vou escrever sobre futebol evitando criticar quem quer que seja; isto é, vou escrever de forma independente, dizendo bem, até, de algumas pessoas. Uma dessas pessoas é o quase desconhecido (para nós) Cesar Maurício Velazquez; o outro, de quem direi bem, é bastante conhecido nestes meios – Daniel Oliveira

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Os deputados, votando individualmente, derrotaram os quatros projetos de eutanásia propostos pelo Bloco, PEV, PAN e PS. O dos socialistas foi o que mais votos teve, perdendo por escassos cinco votos. Mas ficou o veneno de uma decisão que, por se ter tornado política, voltará às agendas. Não é por acaso que João Semedo diz que é uma questão de tempo e que Catarina Martins acha que, ainda perdendo, “se deu um passo na direção da despenalização” e que o Bloco voltará ao tema. Mesmo o PS não andou longe desse discurso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Diz a Bíblia que Jacob, aquele que sete anos serviu Labão, pai de Raquel, serrana bela, como cantou Camões, ao chegar a Betel, na terra de Canaã, onde antes havia construído um altar, viu Deus que lhe disse: teu nome é Jacob, mas não te chamarás mais por esse nome, mas sim Israel. Recomendou-lhe ter muitos filhos e descendentes, pois uma nação e muitos povos, e mesmo reis, seriam seus descendentes

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Por incrível que possa parecer a certos comentadores, passam-se coisas mais importantes no mundo do que as declarações de Costa, as vergonhas de César, as traições de Câncio e outras coisas próprias de telenovelas mexicanas. O acordo nuclear com o Irão, que Trump decidiu rasgar, é o principal assunto sério da nossa política. Digo nossa, porque é também europeia e portuguesa