• Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Ao provocarem hoje um pandemónio reivindicativo nas cidades de Lisboa, Porto e Faro, sobretudo na capital, os proprietários e condutores de táxis chamam a atenção para algo que nos nossos tempos é extraordinariamente interessante: pode ter-se razão sem conseguir suster essa razão? A mudança da sociedade não acabará por tornar as suas reivindicações ridículas?

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O pedaço de autêntico ‘reality show’ que foi o encontro entre António Costa e Mário Nogueira, ontem, transmitido pelas televisões, mostra o grau de irrealismo a que se chegou. Os dois deslocaram-se (o segundo porque o primeiro lá ia) a Paredes de Coura e, em frente das câmaras de TV trocaram argumentos. Não sei quem ganhou na retórica, mas percebo que Costa tem razão em tudo… menos numa coisa: quando finge que não conhecia a intransigência do líder da Fenprof

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Uma velha piada conta que um homem, no meio de uma discussão acesa, exclama aos gritos: “Larguem-me que eu vou-me a ele!”. Os circunstantes, admirados fazem-lhe notar que ninguém o está a agarrar. Então o mesmo homem grita: “Então agarrem-me senão eu mato-o”. Não sei porquê – e não há de ser da moleirinha, que nem sequer está calor por aí além –, o homem faz-me lembrar… Rui Rio… e Santana Lopes… e o PCP e o Bloco e todos os que não são do PS nem do Governo e dão a ideia de que… se vão a ele

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Vejamos as coisas com alguma distância e calma. No ‘DN’ de hoje há quem se queixe de que alguns senhorios se recusam a alugar casas a famílias ‘não tradicionais’. Independentemente do que pensemos ser uma família tradicional ou não, e não importando o que pensemos do facto em si, registemos o assunto, apontado como discriminatório. Depois olhemos para outro que está a ser muito debatido: o desconto transitório de 50% no IRS para aqueles que emigraram entre 2011 e 2015

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Já se sabe que tentar elogiar Relvas é como encontrar uma agulha no palheiro. Mas, do mesmo modo que é possível encontrá-la, há medidas tomadas por aquele efémero ministro de habilitações forjadas que têm lógica e foram positivas. Ainda que insuficientes. Refiro-me à junção de freguesias, que devia ter sido completada com a reforma das próprias autarquias (juntando algumas, muitas, delas) de modo a que a massa crítica de cada concelho e de cada freguesia não seja insignificante

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Subitamente neste Verão, variação do célebre título ‘Subitamente no Verão Passado’, peça de Tennessee Williams adaptada ao cinema com guião de Gore Vidal, neste Verão, pois, começou-se a colocar em causa Rui Rio, oito meses depois da sua eleição. E as críticas que lhe fazem, desde as implícitas de Santana Lopes, às explícitas de Pedro Duarte ou Luís Montenegro, contêm em si um dilema difícil de resolver

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Pode sempre argumentar-se que não será por alguém se demitir que as munições e armas desaparecidas há mais de um ano em Tancos surgem. Mas esse argumento é tão bom como dizer que não é por Ricardo Robles se demitir que acaba a especulação imobiliária. Na verdade, o que se espera de responsáveis é… (curiosamente) responsabilidade. Não apenas eficácia ou resultados

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Vivemos hoje, e penso que isto é minimamente consensual, entalados entre causas que cada grupo defende e tribos que são defendidas por cada grupo. A visão comunitária, solidária, e fraternal das sociedades ressente-se, ao mesmo tempo que um sem número de ocorrências ridículas nos passam ao lado, enquanto uns senhores (e umas senhoras) decidem gastar parte das suas vidas em tais causas ou em defesa dessas tribos

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não deixa de ser irónico que no dia em que completaria 100 anos e em que se comemora, por iniciativa da ONU, o dia de Mandela, estejamos a viver um período que, comparado aos dias de esperança da sua libertação, bem como o ar do tempo que na altura se vivia, mais pareça uma noite escura