&conomia à 3ª

Carnaval na Alemanha

Os recentes desenvolvimentos na vida política da Alemanha demonstram finalmente que os alemães são afinal tão europeus como os portugueses, não conseguindo assim evitar uma boa confusão política, pondo em causa a estabilidade que têm conseguido manter desde o pós-guerra.

A fraca vitória eleitoral da CDU de Merkel em Setembro passado fazia prever o pior cenário possível de imaginar na altura, que seria não conseguir formar uma coligação de governo, forçando a nova ida às urnas com ainda piores resultados para Merkel.

Para não ajudar, os conturbados tempos vividos pelo anterior parceiro de coligação de Merkel, que sofreu pesada derrota eleitoral e registou o seu pior resultado desde o pós-guerra, levaram à posição de força do seu líder em rejeitar determinantemente qualquer futura coligação, reconhecendo os desastrosos resultados eleitorais como uma forte penalização do seu partido SPD pelo suporte ao governo de Merkel.

A estratégia arriscada de Schulz da altura parecia mostrar o pouco que tinha a perder em tentar provar ao partido que tinha aprendido a lição das urnas, tentando garantir a sua sobrevivência à frente do partido.

Depois do falhanço das negociações com FDP e Verdes, o último recurso de Merkel para se manter à frente da CDU e continuar Chanceler, foi pedir ajuda a Schulz numa posição negocial muito fragilizada, dando bastante mais poder ao SPD do que este tinha tido em votos, facto que muito desagradou à CDU de Merkel.

Estando Schulz a lutar pela sua sobrevivência à frente do SPD, não resistiu à tentação de fazer o contrário do que tinha garantido que faria, como experiente político habituado à alta roda da política nas instituições europeias, aceitando até um lugar como ministro dos negócios estrangeiros.

Na verdade, Schulz conseguiu importantes pastas no novo governo de coligação de Merkel, reforçando a sua importância e influência nos destinos da Alemanha e da Europa, não conseguindo evitar no entanto o forte desagrado dos membros do seu partido SPD.

Os militantes do SPD têm agora que aprovar este acordo de coligação, tendo Schulz já apresentado a renúncia ao cargo de futuro ministro e prometido a sua demissão de líder do partido após a votação em 4 de Março.

Se os militantes do SPD não aprovarem a coligação, a vida política de Schulz e de Merkel terá os dias contados na Alemanha. Resta-lhes a posição de relevo que assumiram neste carnaval político alemão. Os foliões anti-europeus agradecem.

Falta agora saber quem serão os próximos reis do Carnaval de Berlim...