Cultura

Morreu Tom Wolfe, escritor e jornalista norte-americano

David Corio/Getty Images

Considerado um dos pioneiros do chamado Novo Jornalismo, ao lado de nomes como Truman Capote, Joan Didion e Hunter S. Thompson, o escritor e jornalista americano Tom Wolfe ficou conhecido por obras como “A fogueira das vaidades”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Tom Wolfe morreu na segunda-feira aos 88 anos, confirmou ao “New York Times” o seu agente, Lynn Nesbit, segundo o qual o escritor e jornalista norte-americano encontrava-se internado, devido a uma infeção, num hospital em Manhattan.

Considerado um dos pioneiros do chamado Novo Jornalismo (movimento jornalístico surgido nas décadas de 1960/70 e que recorria às técnicas narrativas da ficção para retratar a realidade, mantendo, porém, a imparcialidade jornalística), ao lado de nomes como Truman Capote, Joan Didion e Hunter S. Thompson, Tom Wolfe ficou conhecido por obras como “The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby”, primeira coleção de ensaios, publicada em 1965, “The Electric Kool-Aid Acid Test” (1968), em que dá conta das experiências do romancista americano Ken Kesey com drogas psicadélicas, “The Right Stuff”, sobre os pilotos americanos que haveriam de tornar-se os primeiros astronautas, publicado em 1979, e “Bonfire of the Vanities” (1987), editado em Portugal com o título “A fogueira das vaidades” e adaptado ao cinema pelo realizador Brian de Palma, em 1990.

O livro, publicado no ano da queda da bolsa de Nova Iorque que viria a ficar conhecida como “segunda-feira negra” e numa altura em que o magnata Donald Trump, já dono da torre com o seu nome na Quinta Avenida, estava a construir o seu império de casinos na Atlantic City, conta a história de McCoy, um jovem corretor da bolsa que, ao conduzir uma noite pelo Bronx, em Nova Iorque, atropela um negro e foge. Wolf acompanha o seu dilema ao mesmo tempo que capta e retrata as sombras e complexidades do submundo da cidade norte-americana.

Em Portugal, foram ainda traduzidos os seus livros “Um mundo americano”, “Eu sou Charlotte Simmons” e “Um homem em cheio”, editados pela Dom Quixote.

Wolfe era normalmente descrito como “provocatório”, “irónico” e “corrosivo” e o seu estilo de roupa, que o próprio designou como “neo-pretensioso”, poucas vezes passava despercebido a quem sobre ele escrevia - fatos com várias camadas e impecavelmente brancos e engomados.

Nascido em Richmond, na Virginia, em 1931, Tom Wolfe publicou as primeiras peças jornalísticas no jornal “Springfield Union”, em Massachusetts. Mudou-se depois para Washington (trabalhou para o “Washington Post” como correspondente na América Latina, tendo sido premiada pelas suas reportagens sobre a Revolução Cubana) e de lá para Nova Iorque, em 1962, ano em que começou a trabalhar como repórter para o “New York Herald Tribune”.