Diário

A ambulância de João Lourenço para Catete e as panelas para as senhoras. Relato de uma pré-campanha eleitoral

O candidato presidencial do MPLA (ao centro na foto) com outros dirigentes do partido numa ação da campanha eleitoral, esta quinta-feira, em Luanda

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Não votar nas eleições angolanas de dia 23 foi a opção tomada por Luaty Beirão, como explica em entrevista ao Expresso na edição deste sábado. Hoje, o ativista e o seu companheiro de oposição civil ao regime angolano Cláudio Silva explicam algumas das razões porque não consideram este processo eleitoral justo, expondo parte do trabalho de vigilância que têm desenvolvido num projeto a que chamaram Jiku, prefixo de “abre o olho”

Texto Luaty Beirão e Cláudio Silva

Falar de eleições em Angola e manter um ar sério ao fazê-lo é sintomático de um estado de profunda negação do óbvio. Os nossos processos eleitorais têm sido alvo de violações aberrantes e sistemáticas à lei que os regula sem que os órgãos tutelares sequer se pronunciem.

luís barra

A título de exemplo, no dia que precedeu o arranque da campanha atual, uma longa peça foi exibida no noticiário principal do canal público de televisão, na qual o presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) apelava ao respeito pelo plasmado na lei. Cerca de 40 minutos mais tarde, no mesmo bloco informativo, uma notícia dava conta da oferta de uma ambulância a um hospital em Catete por parte de João Lourenço, o candidato do MPLA à presidência.

Esses presentes foram referidos numa peça mais recente noutro canal televisivo como “as já habituais ofertas” e incluem sempre um carro, panelas para as senhoras, aparelhagens chinesas para ex-militares, computadores para jovens, e por aí fora. Ora essas ofertas eleitorais são recorrentes com a aproximação dos pleitos, mas são simultaneamente ilegais, configurando crime de corrupção eleitoral, passível de penas que podem ir até 8 anos de prisão.

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