Diário

De livros autografados a ultimatos. Como Sócrates foi a arma secreta do grupo Lena

Os conhecimentos dos tempos de governante foram uma mais-valia para os negócios do Grupo Lena em África e América do Sul

Foto Tiago Miranda

Já como ex-primeiro-ministro, Sócrates foi usado como intermediário para tentar arranjar reuniões de negócios do Grupo Lena com políticos da Argélia, Angola e Venezuela ou desbloquear processos que estavam emperrados

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Os dois exemplares autografados por José Sócrates de um dos seus livros tinham um destino: chegar às mãos do presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika. O objetivo era o de agradar ao homem mais influente daquele país do Norte de África para que o Grupo Lena avançasse com a construção de prédios e infraestruturas junto ao mar Mediterrâneo.

Já depois de sair do Governo, José Sócrates, acusado esta semana dos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal no âmbito da Operação Marquês, usou a sua influência como ex-primeiro-ministro e os seus velhos contactos no meio diplomático para ajudar o Grupo Lena, também arguido no processo, a fazer negócios na Argélia e Angola ou receber pagamentos em atraso da Venezuela.

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    A 21 de novembro de 2014, o ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa, quando regressava de Paris, sob a suspeita dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. Acabou por ficar em prisão preventiva durante 11 meses: 288 dias na cadeia de Évora e 42 em prisão domiciliária. Quase três anos depois, o inquérito da Operação Marquês, conduzido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), está finalmente concluído. A acusação foi divulgada esta quarta-feira: foram acusadas 19 pessoas, incluindo Sócrates, e 9 empresas, num total de 188 crimes. O despacho de acusação tem mais de 4 mil páginas