Diário

Onde é que já ouvimos isto?

Manifestação contra as políticas do atual presidente da República Checa, Miloš Zeman, homem de personalidade intempestiva e que recusa aceitar refugiados e migrantes dentro das fronteiras do país

MICHAL CIZEK

De um lado está Miloš Zeman, um homem que a comunicação social se diverte a comparar com Donald Trump a cada tirada populista (exemplo: a quantidade de muçulmanos que se dirigem à Europa é um plano secreto da Irmandade Muçulmana para controlar o Ocidente e “os jornalistas deviam ser liquidados”, destino que reservaria igualmente aos vegetarianos), e do outro está Jiří Drahoš, físico e ex-presidente da reverencial Academia das Ciências. Um é protecionista, o outro internacionalista. Um é académico, o outro antissistema. Onde é que já ouvimos isto? Agora é na República Checa, que escolhe até este sábado o futuro presidente

Ana França

Ana França

Jornalista

Se um Donald Trump incomoda muita gente, dois incomodam muito mais. Na República Checa, como aqui e em muitas outras democracias parlamentares, há um presidente e um primeiro-ministro e a maioria do poder está nas mãos do último. Porém, tanto Andrej Babiš, que é primeiro-ministro eleito sem maioria e por isso numa situação muito complicada, como Miloš Zeman, atual Presidente, 73 anos, que espera garantir a vitória este sábado ou pelo menos um acesso sem percalços à segunda volta, são frequentemente comparados na comunicação social ao Presidente dos Estados Unidos. E se Zeman vencer as presidenciais, como é uma possibilidade, já garantiu que irá tentar expandir os poderes do presidente e segurar Babiš no governo.

Ambos têm sido bastante críticos da União Europeia, da NATO e das políticas europeias que exigem aos países integrantes no bloco que recebam uma parte dos refugiados que todos os dias chegam a Itália e à Grécia. É aí que os analistas notam a primeira grande fissura: “A dupla formada pelo primeiro-ministro e pelo presidente neste momento marca uma rutura com o que a República Checa vinha construindo: Zeman mudou a sua atenção para a Rússia, apoiando a anexação da Crimeia, para a China e até para o Cazaquistão e afastou-se da NATO e da UE. É uma grande reviravolta no país e pode colocar-nos na mira de sanções europeias, como a Hungria ou a Polónia”, diz ao Expresso Petr Just, diretor do Departamento de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana de Praga.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito para Assinantes ou basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso, pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido