Diário

“Não sei se teria liberdade de falar assim de uma mulher como me sinto livre para falar de um homem”

A atriz e escritora brasileira Fernanda Torres veio a Lisboa lançar o seu segundo romance

Tiago Miranda

Fernanda Torres é uma das atrizes mais prestigiadas do Brasil: por cá tornou-se popular com a participação na série televisiva de humor “Os Normais”. Filha de duas figuras maiores da representação – Fernanda Montenegro e Fernando Torres –, há cinco anos arriscou a literatura e estreou-se no primeiro romance, “Fim”, sobre a vida e a morte de cinco velhos amigos cariocas. A crítica rendeu-se à sua escrita, o que a motivou a escrever o segundo, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, sobre as desventuras de um ator de meia idade caído em desgraça. Um mote para uma conversa franca sobre o bom e o menos bom que ficou lá atrás e as maravilhas e descobertas da maturidade

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

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Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

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Fotojornalista

O título deste seu segundo romance, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, vem de uma expressão muito repetida da sua mãe, Fernanda Montenegro. Há horror na glória?
Sempre notei isso. A fantasia que as pessoas fazem diante de um grande sucesso de alguém é que essa pessoa está a viver uma felicidade infinita. E em todas as vezes que me aconteceu isso - foram poucas, como é normalmente na vida de todo o mundo -, eu vi que aquilo era acompanhado por uma ansiedade terrível.

Diz-se que quando estamos a viver os nossos melhores momentos, os ditos momentos de felicidade, não os vivemos em pleno. Só o reconhecemos mais tarde. É isso?
É. E sempre ouvi minha mãe dizer, quando eu falava dessa sensação, ‘é, minha filha, é a glória e o seu cortejo de horrores’. E eu achava essa frase incrível porque era a sensação que tinha. E quando eu fui agora escrever sobre um ator, eu disse ‘ah, o título é esse”.

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  • Fernanda Torres: “Os meus momentos de glória são muito parecidos com os meus fracassos”

    Ela é uma das atrizes mais prestigiadas do Brasil, por cá tornou-se popular com a participação na série televisiva de humor “Os Normais”. Filha de duas figuras maiores da representação – Fernanda Montenegro e Fernando Torres – cedo ganhou uma identidade artística que a levou a ser distinguida, logo aos 21 anos, com o prémio de melhor atriz em Cannes, pelo filme “Eu sei que vou te amar”. Há cinco anos arriscou a literatura e estreou-se no primeiro romance, “Fim”, sobre a vida e a morte de cinco velhos amigos cariocas. A crítica rendeu-se à sua escrita, o que a motivou a escrever o segundo, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, sobre as desventuras de um ator de meia idade caído em desgraça. “Todo o livro é uma autobiografia. Não existe nenhum autor que não escreva a partir da sua visão”, revela Fernanda nesta conversa franca sobre o bom e o menos bom que ficou lá atrás e as maravilhas e descobertas da maturidade. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”