Diário

“Mais mulheres no jornalismo é apenas melhor jornalismo, que há para entender?”

Ros Aktins é apresentador do programa “Outside Source”, da BBC, e impulsionador da iniciativa “BBC 50:50”, cujo objetivo é que 50% de todas as fontes que a BBC contacta, para todos os seus programas noticiosos, sejam mulheres

Foto Rafael Antunes

A diversidade está em todo o lado, andamos com ela no bolso. Mas nas notícias transmitidas pelos canais tradicionais de notícias, e no topo dos organigramas das principais empresas de comunicação social, continuam a faltar nomes de mulheres. A internet veio juntar todas as vozes num grito e isso mudou tudo mas as mesmas ferramentas que ajudam as mulheres são também aquelas que servem para as humilhar e diminuir como pessoas e como profissionais do jornalismo

Ana França

Ana França

Jornalista

No 4º Congresso de Jornalistas realizado no ano passado em Lisboa, Graça Franco, diretora da Renascença, abriu desta forma a sua intervenção: “Cheguei mais tarde para me fazer notar”. Num painel com todos os diretores dos principais meios de comunicação generalistas em Portugal, apenas ela e Mafalda Anjos, diretora da revista “Visão”, eram mulheres. Um estudo de 2016 conduzido pelo investigador Miguel Crespo para o ISCTE diz que as mulheres presentes nas redações são mais que no passado, mas ainda não são maioria. Representam 41% do total de profissionais com carteira profissional de jornalismo. Nos cargos de chefia não chegam para fazer uma percentagem. “O género não é irrelevante”, rematou Graça Franco na altura.

No 70º Congresso Mundial de Imprensa e Fórum Mundial de Editores, que começou esta quarta-feira no Estoril, a questão do equilíbrio na representação das mulheres - quer nas redações quer nas próprias notícias - o género também não foi irrelevante. A primeira conferência foi dedicada a este tema, que deixou de ser uma preocupação de alguns, uma luta muitas vezes quase exclusiva da academia, para passar a ser uma obsessão de muitos quando o escândalo do assédio sexual estourou nos Estados Unidos. As ondas de choque desse terramoto abalaram profundamente as redações - e as coisas começaram a mudar.

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