Diário

Agora é tempo de voltar a salvar os 13 que ficaram presos na gruta

Dois dos rapazes resgatados seguem dentro desta ambulância

Foto GETTY

Três dias intensos de operações saldaram-se no resgate de todos os elementos do grupo que desde 23 de junho estava preso num complexo de cavernas no norte da Tailândia. “Foi milagre ou ciência?”, questiona-se a marinha do país, apoiada pelos melhores especialistas mundiais. É tempo de avaliar as consequências físicas e psicológicas destas mais de duas semanas de cativeiro em circunstâncias excecionalmente adversas: especialistas contactados pelo Expresso explicam como se trata de um novo salvamento - depois do resgate da caverna, é preciso resgatá-los do choque e de qualquer eventual sentimento de culpa

A prioridade inicial no acompanhamento médico das 12 crianças e do treinador, agora que estão salvos, é a avaliação das condições de desnutrição e desidratação em que se encontram. A tese é defendida pelo pediatra Hugo Faria, que conta ao Expresso que “uma pessoa desnutrida tem muito maior suscetibilidade a infeções”. É, pois, necessário avaliar a situação e tentar reequilibrar os níveis de nutrição. No entanto, este processo obedece a regras muito apertadas. “Não pode ser feito de uma forma muito rápida se estiverem muito desnutridos porque isso pode causar problemas secundários, como diarreias ou alterações muito rápidas no sangue, que, por sua vez, podem ter efeitos nefastos. Portanto, tem de ser feito devagar mas de uma forma efetiva”, explica.

Outra das preocupações são as infeções de vária ordem, principalmente porque os jovens estiveram sujeitos a condições favoráveis ao seu aparecimento durante 17 dias, os primeiros nove dos quais sem qualquer apoio ou vigilância do exterior. “Esses ambientes extremos são propícios a infeções específicas, diferentes daquelas a que estamos sujeitos no dia a dia. São ambientes onde haverá, imagino eu, animais que podem transmitir doenças, como morcegos e outros roedores. Existe o risco de infeção por fungos e por bactérias transmitidas pelos roedores”, refere o pediatra, sublinhando que os “agentes bacterianos podem ser particularmente agressivos nestas condições”.

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