Economia

BCE discute fixar um teto para o programa de compras

A Bloomberg avança com a posição de vários membros da equipa de Mario Draghi para limitarem o programa de compra de ativos a €2,5 biliões, o que implicaria um teto para a aquisição de dívida pública na ordem de €2 biliões. Teto para Portugal poderia ficar por €34-35 mil milhões

Jorge Nascimento Rodrigues

A Bloomberg avança que vários membros do Banco Central Europeu (BCE) defendem um teto de €2,5 biliões para o programa de compra de ativos públicos e privados que o banco central tem em curso desde 2014, no âmbito da discussão interna preparatória da reunião do banco no próximo dia 26 de outubro.

O volume de aquisições atingiu €2,12 biliões no final de setembro e, segundo avança a agência financeira, poderá chegar a €2,3 biliões no final do ano, o que deixa uma margem de mais €200 mil milhões para serem adquiridos em 2018 durante o prolongamento do programa. Esta margem apontaria para a necessidade de redução em 2018 do volume mensal de compras, atualmente na ordem de €60 mil milhões, para menos de 50%.

Em final de setembro, o volume de aquisição de dívida pública no mercado secundário (a principal das componentes do programa global de compras do BCE) atingiu €1,8 biliões, com a fatia para Portugal a subir para €29,57 mil milhões.

Um prolongamento em 2018 até setembro poderá significar um volume de compras adicional para a dívida obrigacionista portuguesa num intervalo entre €4 a 5 mil milhões, com uma redução do valor mensal, no próximo ano, para um nível inferior a €400 milhões (em setembro, o BCE adquiriu €494 milhões), caso a ideia do teto vá para a frente. O volume global de compras de dívida pública portuguesa, desde o início do programa em 2015, poderá atingir, assim, um máximo de €34 a 35 mil milhões.

O programa de compras de Obrigações do Tesouro português pelo BCE atingiu cerca de €5 mil milhões até final de setembro; poderá chegar perto de €6,5 mil milhões, se o ritmo atual for mantido, o que significará que o BCE terá comprado quase 90% do valor das emissões líquidas de OT (com uma previsão de €7,3 mil milhões no final do ano, segundo a proposta de Orçamento de Estado para 2018).

Se o programa for prolongado até setembro de 2018, o volume de compras pelo BCE deverá "cobrir" menos de 60% dos €8,4 mil milhões em valor líquido das emissões de OT previstas para 2018 pelo OE.

Mario Draghi, o presidente do BCE, reafirmou em Washington DC, à margem da Assembleia anual do Fundo Monetário Internacional, a estratégia da política monetária (que obteve o apoio do Fundo), em contraste com as declarações de Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, o banco central alemão, que defende que não é necessário, nem adequado, o prolongamento do programa em 2018.