Economia

Trump defende "alívio responsável de dívida" para a Grécia

No encontro esta terça-feira na Sala Oval entre Alexis Tsipras e Donald Trump, o presidente norte-americano sublinhou as imensas oportunidades de investimento na Grécia e reiterou o apoio da sua Administração a uma solução de médio prazo para a dívida helénica. EUA quer reforçar posições estratégicas naquele membro da NATO

Jorge Nascimento Rodrigues

Donald Trump reiterou o apoio da sua Administração a um “alívio responsável da dívida” grega no seu encontro esta terça-feira na Casa Branca, em Washington DC, com o primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras.

Este apoio político é relevante como reforço da posição do Fundo Monetário Internacional (FMI) que deu o seu ‘acordo de princípio’ ao envolvimento no terceiro resgate à Grécia lançado pelos credores oficiais europeus, mas que quer que o terceiro ‘exame’ ao andamento do programa se conclua rapidamente para que se inicie, logo depois, a discussão e concretização das medidas de claro “alívio” de médio prazo da dívida grega. Tsipras já se encontrou com a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.

O presidente norte-americano sublinhou, ainda, as “imensas oportunidades” de investimento na Grécia e o jornal ateniense Kathimerini sublinha a importância estratégica no plano geopolítico da cooperação na área da defesa. Trump não se coibiu mesmo de referir que os gregos estão a renovar a força área e que “o F16 [norte-americano] é um grande avião”. O site norte-americano Zero Hedge avança com um negócio que pode valer 2,4 mil milhões de dólares (€2 mil milhões).

Antes das conversações na Sala Oval, já Tsipras havia sublinhado que os Estados Unidos são um “parceiro estratégico” e que a Grécia desempenha “um papel geoestratégico na região” onde se situa, no Mediterrâneo Oriental e no Mar Egeu.

Como sublinha, o jornal grego, para os EUA são cruciais o papel desempenhado pela base naval de Souda, na ilha de Creta, e o uso dos aeroportos de Kasteli, também em Creta, e Andravida, no Peloponeso, neste aliado da NATO.

Em Chicago, antes de se deslocar para Washington, o primeiro-ministro helénico referiu no Chicago Council of Global Affairs que é o momento para reforçar as relações entre os dois países, em áreas de negócio como o turismo, imobiliário, sector energético (tendo Tsipras referido que o seu país é um "elo central nas redes de energia numa região tão instável"), infraestruturas, novas tecnologias e agricultura.

A Grécia é na região oriental da zona euro um país geoestrategicamente crucial para a China e os EUA.