Economia

Tesouro paga taxa mais baixa de sempre em leilão de dívida a 3 meses

O IGCP colocou esta quarta-feira €1250 milhões em Bilhetes do Tesouro a 3 e 11 meses, tendo pago uma taxa negativa de -0,389% no prazo mais curto com uma procura recorde quase cinco vezes superior à oferta

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal regressou ao mercado da dívida com dois leilões de Bilhetes do Tesouro a 3 e 11 meses colocando 1250 milhões de euros, o máximo que pretendia.

No leilão a 3 meses, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (ICGP) colocou 300 milhões de euros e pagou uma taxa média negativa de -0,389%, a mais baixa de sempre e registou uma procura recorde 4,55 vezes superior à oferta. No leilão anterior da mesma linha, em julho, colocou 500 milhões de euros pagando uma taxa média negativa de -0,292% e a procura foi, então, 2,8 vezes superior à oferta.

No prazo a 11 meses, o IGCP emitiu 950 milhões de euros e pagou uma taxa média negativa de -0,325% com uma procura de 1,75 vezes a oferta. No entanto, esta taxa negativa foi inferior à registada no leilão anterior realizado em setembro, onde o Tesouro pagou -0,345% na colocação de 1250 milhões de euros. A procura foi, também, inferior à de 2,1 registada na emissão de setembro.

"A dívida da República Portuguesa fez mais um recorde: a taxa de emissão na dívida a 3 meses foi a mais baixa de sempre, para esta maturidade. Já se sabia que íamos ter taxas mais baixas do que as emissões comparáveis realizadas em julho, porque as taxas no mercado desceram desde essa altura. A procura foi muito elevada. A dívida a 11 meses também seguiu a tendência, beneficiando dos últimos acontecimentos da economia portuguesa e da melhoria do ciclo económico, incluindo a melhoria no rating. Portugal continua a conseguir emitir dívida a taxas negativas no curto prazo", afirmou Filipe Silva, Diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa.