Economia

Carvalho da Silva: “As pessoas não podem perder o controlo sobre o seu tempo”

No encontro europeu da COTEC, o coordenador do Centro para os Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e antigo sindicalista, alertou que estamos a caminhar para um permanente caos entre tempos de trabalho e de descanso e lazer e defendeu regulação

“Estamos a caminhar para um permanente caos entre tempos de trabalho, descanso e lazer”. O alerta foi dado por Manuel Carvalho da Silva, coordenador do Centro para os Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e antigo secretário-geral da CGTP-IN.

No encontro europeu da COTEC, que decorre esta manhã em Mafra, sob o tema “Trabalho 4.0”, Carvalho da Silva defendeu que face às rápidas transformações em curso, a regulação é indispensável e “é preciso clarificar o conceito de trabalho e não trabalho”.

Até porque, “quanto mais avançado o conceito de cidadania, mais importância se dá ao conceito de não trabalho”, apontou Carvalho da Silva, lembrando que “hoje há imensas atividades cujo impulso vem de dimensões e práticas de vida associadas ao não trabalho”.

Em resposta, Arlindo Oliveira, professor e presidente do Instituto Superior Técnico, considerou que os conceitos de trabalho e não trabalho “estão condenados”. E reforçou: muitas vezes “já não sei quando estou a trabalhar e não estou”.

O presidente do IST apontou o exemplo dos novos ambientes de trabalho, como os das empresas criadas por alunos do IST: “é muito difícil distinguir se estão a trabalhar ou a divertir-se”. Carvalho da Silva frisou, contudo, que esse nível de trabalho “não corresponde à realidade da maioria das pessoas”.

O antigo sindicalista reconheceu que “sem dúvida há cada vez mais interconexão entre trabalho e não trabalho”, e “pode haver alterações nos tempos de trabalho”.
Mas, Carvalho da Silva reforçou que “as pessoas não podem perder o controlo sobre o seu tempo”. E alertou que “isso começa a ser um desafio exigente que se coloca à educação das novas gerações”.