Economia

Grécia mantém objetivo de ‘saída limpa’ apesar de turbulência nos mercados

Wassilios Aswestopoulos/Getty Images

Primeiro-ministro grego está confiante que a turbulência não dura para sempre e espera fazer algumas emissões de dívida antes do fim do resgate no verão. Atenas e Bruxelas deverão chegar a acordo sobre alívio da dívida antes disso

João Silvestre

João Silvestre

em Atenas

Editor de Economia

Alexis Tsipras não parece excessivamente preocupado com a turbulência nos mercados financeiros e mantêm os planos para a Grécia sair de forma ‘limpa’ do programa da troika que termina no verão. “Não acredito que a turbulência seja permanente”, disse o Primeiro-ministro grego em encontro com jornalistas na sua residência oficial em Atenas. O objetivo do governo grego é regressar às emissões de dívida antes do final do programa de forma a, juntamente com algum do financiamento do programa, criar uma almofada semelhante, por exemplo, à que Portugal tem.

Atenas tem preparada uma emissão para avançar mas tem sido adiada nas últimas semanas devido ao comportamento dos mercados financeiros. O Financial Times escrevia ontem, com base numa fonte próxima, que o governo grego chegou a mandatar o sindicato bancário na segunda-feira para avançar com a colocação – o que deveria acontecer no dia seguinte – mas acabou por suspender a operação.

De qualquer forma, para Tsipras a estratégia mantém-se: “Temos um plano para fazer algumas emissões antes do fim do programa.” Sendo que, para o chefe de governo grego, o objetivo principal é concluir com sucesso o programa da troika. Nessa altura, deverá estar também tomada a decisão sobre a forma de alívio da dívida que permitirá à Grécia reduzir a pressão de financiamento a médio e longo prazo.

Embora não haja ainda uma decisão fechada, o Expresso sabe que circula já entre as instituições europeias e Atenas – já que o Fundo Monetário Internacional (FMI) se colocou fora – um esboço que do que pode ser a solução. Passa por um alívio das maturidades da dívida em função do ritmo de crescimento do PIB. A expetativa na capital grega é que possa haver um desenho final aprovado em maio ou junho.

A Grécia vai a eleições no final do próximo ano e, nessa altura, Alexis Tsipras conta ter ainda números mais favoráveis para mostrar aos eleitores. E, claro está, para os convencer a meter a cruz no Syriza. “O nosso objetivo é que, em setembro de 2019, quando forem as eleições, o desemprego esteja cinco ou seis pontos mais baixo”, referiu. A taxa está em 20,7% (o último número do Eurostat, para outubro) o que representa já uma descida significativa face ao pico de quase 30% registado no auge da crise.

Mas o que deseja mais Tsipras nesta altura? “Depois das histórias de sucesso da Irlanda, Chipre e Portugal, agora é a Grécia que quer ser uma história de sucesso.” E isso não é nada fácil, comparado com os seus pares da zona euro. Desde logo porque o trambolhão acumulado de cerca de 25% no PIB grego não é comparável a nada do que aconteceu nos restantes países resgatados. “O nosso trabalho foi mais difícil do que o deles”, garante Tsipras.

O jornalista viajou a convite da Comissão Europeia