Economia

Exportações não cresciam tanto desde 2011

Tiago Miranda

As vendas ao exterior de bens das empresas portuguesas em 2017 cresceram 10,1%, o melhor desempenho desde o início da década. As importações aceleraram tanto que o défice comercial aumentou.

As exportações portuguesas de bens aumentaram 10,1% em 2017, um aumento acentuado quando comparadas com o ano anterior, quando apenas tinham registado um acréscimo de 0,8%. É o ritmo mais forte de crescimento desde 2011, segundo os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ao mesmo tempo, as importações cresceram 12,5% em termos homólogos. Novamente, é uma aceleração acentuada face ao desempenho observado no ano anterior, quando cresceram apenas 1,5%.

Com esta aceleração das importações, o défice da balança comercial de bens aumentou 2.622 milhões de euros, fixando-se no final de 2017 nos 13.843 milhões de euros. Se forem excluídos 'combustíveis e lubrificantes', as exportações e as importações cresceram respetivamente 9,1% e 10,7% em 2017.

Estes valores anuais foram alcançados apesar de um desempenho mais modesto no mês de dezembro. Segundo os dados relativos ao último mês de 2017 publicados pelo INE, as vendas de bens ao exterior cresceram apenas 0,1%. Já as importações reduziram 0.8%. O relatório do INE avança que esta desaceleração registada em dezembro do ano passado "reflecte, em parte, o efeito de calendário, com menos dois dias úteis em relação ao período homólogo e menos três dias úteis em relação a Novembro de 2017"

Um ano de aceleração

Feitas as contas, no conjunto de 2017, a economia portuguesa vendeu ao exterior mercadorias no valor 55.079 milhões de euros. Novamente, se não forem contabilizados os produtos da categoria 'combustíveis e lubrificantes', esse valor reduz-se para 51.273 milhões de euros.

Quando se olha para a série do INE com dados do comércio internacional, percebe-se que, desde 2011, ano em que as exportações de bens cresceram 14,9%, que o ritmo de subida não era tão acelerado. Em 2017, as exportações voltam a crescer a dois dígitos.

Já no que diz respeito às importações, não se registava um ritmo tão forte de crescimento desde 2010, ano em que as compras ao exterior tinham aumentado 14,1%. As empresas nacionais, no ano passado, gastaram 68,922 milhões de euros em compras ao exterior.

Precisamente devido à forte aceleração das importações, no ano passado, que cresceram acima das exportações, também o défice da balança comercial subiu para 13.843 milhões de euros é preciso regressar novamente ao início desta década, mais precisamente 2011, para encontrar um valor mais alto: nesse ano, o défice comercial da economia portuguesa chegou aos 16.723 milhões de euros.

Para se perceber o efeito completo do comércio internacional na economia portuguesa em 2017 falta ainda conhecer os dados sobre as exportações de serviços. Só então se conhecerá o impacto de sectores como o turismo, que bateram vários recordes no ano passado. O panorama deverá ser promissor.