Economia

Francisco Louçã vai ser colunista do Expresso

Francisco Louçã, 61 anos, é o novo colunista do Expresso, passando a assinar um artigo de opinião no Caderno de Economia a partir de 17 de fevereiro

Natural de Lisboa, onde nasceu a 12 de novembro de 1956, é professor catedrático de Economia do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Desde cedo se destacou nos estudos. E, também, na atividade política. No Liceu Padre António Vieira, em Lisboa, concluiu o ensino secundário com uma média de 18 valores e foi distinguido com o Prémio D. Diniz, reservado aos melhores alunos do país. Porém, estive em risco de ser expulso: foi condenado a 14 dias de suspensão por ter feito uma greve. E apesar de ter apenas 17 anos em 25 de Abril de 1974, ainda teve tempo de experimentar as prisões da PIDE/DGS. Foi preso em 30 de Dezembro de 1972, na Capela do Rato em Lisboa, onde decorria uma vigília contra a guerra colonial, na véspera do Dia Mundial da Paz.

Seguiu-se a universidade, estudando Economia no Instituto Superior de Economia (atual ISEG). Concluiu a licenciatura com 17 valores e recebeu o Prémio Banco de Portugal para o melhor aluno do curso. No início dos anos 90 frequenta e conclui a parte letiva do Mestrado em Economia e Gestão da Ciência e Tecnologia, também no ISEG, com a média de 18 valores. Em Julho de 1993 defende a sua dissertação de Mestrado, intitulada “A Transição de 'Paradigma Tecno-Económico' como Factor das Ondas Longas do Desenvolvimento Capitalista - O Caso da Revolução Micro-Electrónica”. É aprovado com a classificação de Muito Bom.

Após o mestrado declinou o convite para professor assistente, a fim de fazer o doutoramento na Universidade de Sussex, no Reino Unido, sob a supervisão de Christopher Freeman, Professor Emérito daquela instituição. Apresenta a sua tese de doutoramento em janeiro de 1996, sob o título “Turbulência na Economia - As Condições Epistemológicas, Teóricas e Analíticas para a Investigação Acerca das Ondas Longas do Desenvolvimento Capitalista”. Em setembro do mesmo ano presta provas de doutoramento no ISEG, tendo sido aprovado por unanimidade.

O seu livro "Turbulência na Economia", que condensa a sua tese de doutoramento, foi levado para o túmulo, por sua expressa vontade, pelo professor Francisco Pereira de Moura, acompanhado de "A Cidade e as Serras", de Eça de Queirós, e "Viagem à Lua", de Júlio Verne.

É também em 1996 que inicia sua vida como professor, no ISEG, onde sempre se manteve. Apresentou-se a provas de Agregação em 1999, com uma dissertação sobre Acoplamento e Ressonância na Análise de Osciladores na Economia: Metáfora, Mecânica e Dinâmica, e com o programa de uma cadeira, "Introdução à Complexidade". Foi aprovado por unanimidade. Nesse ano, recebeu o prémio da History of Economics Association para o melhor artigo publicado em revista científica internacional.

Em 2004, foi nomeado professor associado e hoje é professor catedrático no ISEG, pertencendo à Unidade de Estudos sobre a Complexidade na Economia (a que presidiu), onde desenvolve a sua investigação académica.

A atividade académica foi sempre acompanhada pela sua atividade política. Adere à LCI, seção portuguesa da Quarta Internacional, em 1973, que acabou por dar origem ao PSR, um dos partidos na génese do Bloco de Esquerda (BE). Fundador do BE, em 1999, foi coordenador da comissão política do partido desde 2005 até 2012, tendo disso sucedido no cargo por Catarina Martins (atual líder do BE) e João Semedo.

Eleito deputado à Assembleia da República por Lisboa em 1999, foi reeleito em 2002, 2005, 2009 e 2011, cessando a sua atividade parlamentar em outubro de 2012. No Parlamento, pertenceu às comissões da área de economia e finanças e, também, da comissão de liberdades, direitos e garantias.

Foi candidato às eleições presidenciais de 2006, recebendo 5,3% dos votos. O vencedor foi Aníbal Cavaco Silva, logo à primeira volta, com 50,5%. Em 2015 foi eleito para o Conselho de Estado pela Assembleia da República.