Economia

Calçado. Aerosoles fecha as 16 lojas em Portugal e Espanha

Ricardo Meireles

Empresa de Esmoriz volta a enfrentar dificuldades. Agora por causa da insolvência da casa-mãe nos EUA, com uma dívida de dois milhões de euros em Portugal. “Um rombo”

Margarida Cardoso

Margarida Cardoso

em Milão

Jornalista

As 16 lojas da Aerosoles em Portugal (nove) e Espanha (sete) vão fechar no fim de fevereiro. É a primeira resposta da MoveOn, a empresa de Esmoriz que detém a licença da marca para a Europa, Índia e África do Sul às dificuldades da casa-mãe, nos EUA.

"2017 foi um ano muito mau", admite Fernando Brogueira, diretor-geral da MoveOn, quando refere os problemas que a empresa está a enfrentar devido "ao rombo" provocado pela apresentação à insolvência da Aerosoles nos EUA, deixando uma dívida de dois milhões de euros em Portugal.

Com um volume de negócios de 16 milhões de euros em 2016, Fernando Brogueira refere um prejuízo na ordem dos 2,5 milhões de euros no ano passado, o que conduziu diretamente à decisão de fechar as lojas, onde trabalham 45 pessoas. "Na parte industrial, vamos ver o que acontece", acrescenta.

Uma história difícil

Há, assim, um novo ciclo de problemas no horizonte da empresa de Esmoriz, depois das dificuldades vividas no início da década, quando a Investvar, que tinha a concessão da marca para a Europa e chegou a ser o maior grupo português de calçado, entrou em insolvência.

A ECS Capital deu, então, continuidade ao projeto, que renasceu numa versão mais leve, sob o nome de MoveOn e algum tempo depois passou para o controlo dos indianos da Tata.

A reestruturação prometia continuar de forma pacífica, com produção em Portugal e na Índia e 50 trabalhadores na parte fabril, em Portugal.
No entanto, as dificuldades da casa-mãe, nos EUA, voltam a afetar os planos para o futuro que estavam a ser desenhados em Esmoriz.

"Os problemas nos EUA começaram em junho e agudizaram- se em agosto", refere Fernando Brogueira, consciente do impacto direto em Portugal, desde logo porque os americanos garantiam 40% da produção.

Numa altura em que as contas do último exercício ainda não estão fechadas ( o ano fiscal termina em março), o diretor- geral antecipa já a quebra sentida na produção, a justificar os prejuízos previstos: foram vendidos menos 150 mil pares na Europa e, só esta época, menos 200 mil pares nos EUA.

Falta, agora, saber como corre a insolvência da Aerosoles nos EUA e qual o impacto do desfecho deste processo na licença comercial e industrial que a MovEOn tem para começar a antecipar o futuro.

"Tínhamos uma licença por 30 anos que pode acabar ao fim de cinco, o que deixa o grupo Tata (acionista) zangado. Agora temos de aguardar para ver o que se segue. Pode ser que alguém compre a empresa e esteja interessado em negociar a licença. Se for um grupo sem presença na Europa, tudo pode ser mais simples", mas neste momento, diz Fernando Bogueira, o futuro é incerto, admitindo, também, a hipótese de compra dos direitos da marca em leilão.

O futuro pode ser Saydo

No momento, a alimentar o otimismo da MoveOn, há, no entanto, a nova marca Saydo, apresentada em novembro e, agora, em destaque na Micam, a maior feira de calçado do mundo, a decorrer entre 10 e 14 de fevereiro em Milão.

Assente num conceito de leveza e conforto, com uma inovação técnica desenvolvida internamente, em Esmoriz, nasce para o mesmo segmento de preço da Aerosoles, mas dirige-se a um público mais jovem e tem versões de homem e senhora. Essa foi, aliás, a razão para a empresa criar uma nova marca, uma vez que a licença da Aerosoles não incluía sapatos para homens.

"Pode ser o veículo futuro da MoveOn", acredita o gestor, animado com a reação do mercado, "acima das expectativas".

Outro sinal da confiança vem da evolução no comércio electrónico. Depois de anos de negociação com os americanos para lançamento da loja on-line da marca Aerosoles, a nova frente nasceu em setembro de 2017, num investimento de 100 mil euros. Por mês, diz Fernando Brogueira, já vende 150 mil pares em Portugal.

* A jornalista viajou a convite da APICCAPS