Economia

“Para uma sociedade mais justa”: Fundação “la Caixa” inicia implantação de projetos sociais em Portugal

Gustau Nacarino / Reuters

Ajudar os que mais necessitam, através de programas sociais que ajudem a transformar a realidade de Portugal, faz parte da missão da Fundação espanhola “la Caixa”

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

“É um momento histórico”, começou por dizer esta quarta-feira Artur Santos Silva, presidente honorário do BPI, na apresentação das linhas mestras da ação da Fundação “La Caixa” em Portugal, da qual o BPI faz parte por pertencer ao Grupo CaixaBank. A principal missão da implantação da entidade espanhola passa por construir uma “sociedade melhor e mais justa para os que mais necessitam”.

A Fundação bancária “La Caixa” pretende, assim, “contribuir para o bem-estar dos portugueses, principalmente daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade, como os que necessitam de cuidados paliativos e os que se encontram em situação de desemprego há “muito tempo”. O investimento da Fundação vai ser de 50 milhões de euros por ano em ação social em Portugal.

Jaume Giró, o diretor-geral da fundação, defendeu que vão desenvolver a partir de agora projetos que ajudem a transformar a realidade e em manter o foco nos projetos sociais como a Educação, que “tem de mudar, não pode ser igual ao que era há uns anos porque todos nós mudámos menos o que é ensinado nas salas de aula”.

Ajudar os que mais precisam

Entre os projetos próprios a serem lançados este ano, destacam-se dois programas. O primeiro, o “Incorpora” tem como finalidade a proporcionar postos de trabalho para pessoas vulneráveis, em situação ou em risco de exclusão social, como os jovens que não trabalham, desempregados de longa duração e que tenham mais do que 45 anos, antigos reclusos, vítimas de violência doméstica e pessoas com deficiência ou incapacidade. Numa primeira fase, este programa vai ser implementado nos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra, com o apoio de 30 entidades sociais portuguesas.

O segundo, o “Atenção Integral a Pessoas com Doenças Avançadas”, aprovado pela Organização Mundial de Saúde, consiste em apoiar pessoas que se encontram no final da sua vida e os seus familiares através da assistência psicossocial e espiritual. Este projeto, que é desenvolvido em Espanha desde 2009, já apoiou mais de 130 mil doentes e 182 mil familiares. Em Portugal, estão previstas sete equipas de atenção psicossocial em sete zonas: norte, centro, área metropolitana de Lisboa, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores.

A Fundação vai ainda dar importância ao fomento da investigação, através de convocatórias de candidaturas para apoiar a investigação biomédica e em saúde nas universidades. Esta convocatória vai ser anual e conta com um orçamento de 12 milhões de euros em 2018 para a península ibérica. O objetivo, de acordo com Jaume Giró, é “premiar o talento e os jovens que apostam na investigação mécida”. As prioridades na área da saúde, segundo Artur Santos Silva, são a oncologia, doenças cardiovasculares, doenças infecciosas e neurociências.

Vão ainda ser lançados prémios destinados a apoiar projetos de entidades sociais. Há também um orçamento gerido pelo BPI e ainda projetos especiais, como o da “Dinamização das Regiões Transfronteiriças”, que tem como objetivo promover o desenvolvimento das zonas raianas do interior com Espanha e, aqui, Artur Santos Silva deu o exemplo do Minho e da Galiza, zonas em que existe uma “interação fortíssima e cujo projeto vai acelerar o desenvolvimento das regiões”.