Economia

Farfetch diversifica portefólio e prepara-se para entrar em bolsa

José Neves, o CEO da Farfetch, nas instalações da empresa em Leça do Balio, Matosinhos

Paulo Duarte

O ‘unicórnio’ com ADN português firma primeira parceria com uma rede retalhista de marcas de luxo, a Harvey Nichols, e já contratou os bancos de investimento para prepararem a sua entrada na bolsa americana, ainda este ano

Este primeiro trimestre de 2018 tem sido intenso para a Farfetch, plataforma de comércio eletrónico de marcas de luxo, fundada pelo português José Neves. Depois de conhecidas as parcerias com duas marcas globais - a Burberry e a Chanel -, em fevereiro, foi anunciada esta segunda-feira uma nova 'aquisição' desta tecnológica, que passa a disponibilizar agora produtos da Harvey Nichols, um grupo de armazéns (departament stores) de luxo. É a primeira rede retalhista a juntar-se à Farfetch, que nasceu em 2009 pelas mãos do empreendedor português José Neves.

Desta forma, a Harvey Nichols, que conta com 15 lojas em nove países, passará a ter os seus produtos disponíveis na plataforma online da Farfetch no segundo semestre deste ano. E torna-se num dos parceiros mais valiosos para a empresa sedeada em Londres.

A Farfetch, que faz entregas em 190 países (contando com uma base de 2 milhões de clientes e 900 fornecedores de artigos de luxo), é, até agora, o único 'unicórnio com ADN português - ou seja, uma empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares (cerca de 811 milhões de euros).

Em comunicado, José Neves, fundador e presidente executivo da empresa, diz: "Estamos muito satisfeitos com esta parceria com a Harvey Nichols, que se junta à plataforma e marca o lançamento da nossa oferta de lojas departamento”.

Na rampa de lançamento para o mercado de capitais

A nova parceria, depois de outras associações igualmente mediáticas e do anúncio da abertura, também durante este ano, de um escritório da Farfetch no Dubai, vem dar gás à ideia de que 2018 poderá ser o ano de entrada da empresa no mundo da bolsa, nos Estados Unidos, o seu maior mercado.

Segundo o 'Financial Times' deste sábado, a Farfetch contratou os bancos de investimento JPMorgan e Goldman Sachs para prepararem a oferta pública inicial (IPO) na bolsa americana. As expectativas é de que a empresa consiga uma valorização de 4 mil milhões de libras (perto de 4,5 mil milhões de euros).

Segundo os últimos dados financeiros conhecidos da Farfetch, referentes a 2016 e conhecidos em novembro passado, a empresa registou vendas brutas de 548 milhões de libras (perto de 613 milhões de euros), traduzindo um crescimento de mais de 80% face ao ano anterior. Contudo, os resultados líquidos foram negativos, com a Farfetch a apresentar um prejuízo de 34 milhões de libras (cerca de 38,3 milhões). Na altura, ao Expresso, o fundador José Neves considerou estes valores "números que são extraordinários tendo em conta a escala em que já operamos”, que são um reflexo da necessidade de realização de investimentos para alimentar o rápido crescimento desta tecnológica.