Economia

Lesados dos incêndios manifestam-se hoje em Coimbra

Rui Duarte Silva

Consideram as medidas de apoio criadas pelo Governo insuficientes e exigem a reabertura de candidaturas aos subsídios anunciados. Os agricultores e produtores florestais revelam ainda que há mais de mil estrangeiros afetados pelos incêndios, a residir no interior do país, que não sabem onde se devem dirigir para aceder às ajudas oficiais

Os Agricultores e Produtores Florestais que viram as suas propriedades destruídas pelos incêndios de 2017 consideram insuficientes as medidas promovidas pelo Governo, “tendo em conta os prejuízos brutais sofridos pelas populações e pelos agricultores em especial”.

Para manifestarem o seu desagrado promovem hoje, pelas 10h30 um protesto em Coimbra, junto à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, depois de, no passado mês de fevereiro, o primeiro-ministro António Costa lhes ter negado um pedido de audiência.

Esta ação de luta é promovida pela Comissão Inter-Concelhos dos Agricultores e Produtores Florestais Lesados pelos Incêndios e tem o apoio da ADACO-Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra; do MAAVIM – Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões e ainda da CNA – Confederação Nacional da Agricultura.

De acordo com os organizadores deste protesto, há milhares de produtores agrícolas que não conseguiram fazer as suas candidaturas aos apoios financeiros prometidos pelo Ministério da Agricultura, ou só fizeram a primeira declaração de prejuízos e “outros acabaram por ficar de fora dos apoios”.

Estrangeiros afetados sem acesso a informação adequada

Por outro lado – e ainda segundo os mesmos responsáveis – há mais de um milhar de estrangeiros residentes na região do interior do país afetados pelos incêndios de 15 de Outubro que, “por falta de apoio, por desconhecimento de onde se deveriam dirigir, ou até por alguns estarem isolados das povoações, na sua maioria, não se candidataram às ajudas de apoio à agricultura ou à habitação”.

Os manifestantes exigem a imediata reabertura das candidaturas simplificadas até ao final do mês de Junho. Querem também que os concelhos de Oliveira do Hospital e Tábua sejam considerados zonas de montanha para poderem aceder às candidaturas direcionadas para as zonas de incêndio.

Não menos importante, segundo os organizadores do protesto, é a exigência de medidas de apoio para florestação e replantação, incluindo áreas comunitárias de baldios, bem como a criação e gestão de parques de armazenamento e comercialização das madeiras fustigadas pelos incêndios.

Durante a concentração, está prevista uma "ação de sensibilização da opinião pública" e a organização do protesto também já solicitou ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, a sua presença na delegação da DRAP do Centro para lhe ser entregue "um caderno de reclamações".