Economia

Portugal coloca €1250 milhões às taxas de juro mais baixas de sempre

Estado emite 975 milhões de euros a 10 anos a 1,778% e 275 milhões de euros a vencer em 2045 a 2,8%. São os juros mais baixos conseguidos em emissões de dívida pública naqueles prazos. Em menos de três meses já colocou 44% do programa de emissão obrigacionista para este ano

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal colocou esta quarta-feira €1250 milhões em dívida de longo prazo pagando as taxas mais baixas de sempre. Abaixo de 1,8% a 10 anos e inferior a 3% a 30 anos. Emitiu o máximo que se tinha proposto. No prazo mais longo, a procura foi 2,8 vezes superior à colocação, um rácio acima do verificado no leilão similar anterior.

Em menos de três meses, o Estado já emitiu 44% do programa de colocação de obrigações para 2018, aproveitando a janela de oportunidade da descida dos juros induzida pela manutenção do programa de compra de dívida pelo Banco Central Europeu até final de setembro e pela garantia de reinvestimentos.

No prazo a 10 anos, emitiu €975 milhões pagando 1,778%, abaixo dos próprios juros (yields) no mercado secundário registados quando decorria o leilão, que se situavam acima de 1,8%.

O Estado conseguiu esta quarta-feira pagar menos do que no leilão de dezembro do ano passado quando havia fixado um mínimo histórico de 1,93% na linha de Obrigações do Tesouro (OT) que servia, então, de referência a 10 anos, e que vence em 2027. A procura foi hoje 1,7 vezes superior à colocação, um rácio inferior ao registado no leilão anterior.

Na outra linha de OT que vence em 2045, e que ainda serve de referência a 30 anos, Portugal pagou, também, a taxa mais baixa de sempre nessa maturidade muito longa. A vida residual desta linha é, agora, de 27 anos.

O Estado colocou, nessa linha, €275 milhões pagando uma taxa de remuneração de 2,8%, em linha com os juros no mercado secundário. No último leilão desta linha, realizado em 12 de julho do ano passado, Portugal pagou 3,977%. A taxa mais baixa até hoje paga nesta maturidade muito longa registou-se na operação sindicada de reabertura daquela linha em abril de 2015, quando pagou 3,133%.

"Basta dizer que esta taxa de 2,8% foi o que se pagou por dívida a 10 anos emitida em setembro de 2017 (2,78%). Agora, com a mesma taxa, conseguimos dívida que só se vence em 2045", refere Filipe Silva, Diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa.

Estes novos mínimos históricos nas taxas pagas eram esperados depois da recente descida dos juros no mercado secundário em virtude da reafirmação clara da política de estímulos por parte do Banco Central Europeu na reunião da semana passada.

Hoje, antes do leilão português, Mario Draghi, o presidente do banco, reafirmou a estratégia na abertura da conferência anual em Frankfurt "The ECB and its Watchers".

Tesouro português paga menos a 30 anos do que italiano

O Estado português pagou hoje no prazo a 30 anos um juro inferior ao que o Tesouro italiano pagou ontem em leilão similar quando colocou €960,5 milhões.

O Departamento do Tesouro transalpino pagou na terça-feira 2,92% na linha a 30 anos que levou a leilão, e cuja vida residual, é agora, de 29 anos. Na mesma maturidade, o Tesouro alemão pagou hoje 1,27%.

Nos dois leilões, tal como em Portugal, os Estados pagaram juros abaixo das taxas que tiveram de aceitar nos leilões imediatamente anteriores: 3,16% no caso italiano e 1,330% no caso alemão.

Os leilões de dívida de longo prazo em Portugal e Itália confirmam a diferença que se tem mantido no mercado secundário entre o custo de financiamento nos dois periféricos do euro. Lisboa paga agora menos pelo seu endividamento de longo prazo do que Roma.