Economia

OPA da EDP já tem quatro bancos em ação

Luis Barra

A oferta da China Three Gorges sobre a EDP já começou a dar trabalho a vários assessores financeiros e jurídicos, um negócio paralelo que poderá movimentar milhões de euros ao longo dos próximos meses.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges (CTG) sobre a EDP já conta com pelo menos quatro bancos a fazer assessoria financeira, além de sociedades de advogados e agências de comunicação.

A CTG contratou o Bank of America Merril Lynch como assessor financeiro para a OPA e ainda o português BCP como intermediário financeiro da oferta sobre a EDP. O BCP é também um acionista de referência da elétrica, com uma participação de 2,44%.

Já a EDP decidiu recorrer ao suíço UBS mas também ao Morgan Stanley, apurou o Expresso. Mas a assessoria externa da elétrica não fica por aqui.

O grupo presidido por António Mexia confiou a assessoria jurídica durante a OPA à Morais Leitão, sociedade de advogados com a qual trabalha há vários anos. A EDP poderá ainda vir a selecionar outras sociedades de advogados para apoio jurídico em questões de pormenor.

No plano jurídico, também a CTG se está a rodear de especialistas. Trabalhará com a Linklaters e com a Serra Lopes Cortes Martins.

A OPA poderá ainda contar com assessoria mediática ao longo dos próximos meses, nomeadamente com a contratação de agências de comunicação por ambas as partes.

Negócios de milhões

As assessorias em operações como a OPA agora lançada pela China Three Gorges podem movimentar milhões de euros, atendendo ao registo de outros negócios de grande porte feitos no passado.

Na privatização de 21,35% da EDP, em 2011, que permitiu à CTG tornar-se o maior acionista da elétrica, a consultora financeira Perella Weinberg faturou mais de 10 milhões de euros à Caixa BI, o banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que assessorou a Parpública na operação. Os encargos totais da Parpública com apoio externo para a privatização ascenderam a 26 milhões de euros.

Entre os assessores financeiros da privatização da EDP esteve também o BES Investimento, que numa primeira fase apoiou o Estado a fazer a avaliação da EDP (e depois também a da REN - Redes Energéticas Nacionais) e posteriormente foi contratado pela Three Gorges, que acabou por ganhar a corrida, pagando 2,69 mil milhões de euros.