Economia

Da fábrica de cortiça a hotel de 5 estrelas

nuno botelho

Fica na baía do Seixal e a construção deve arrancar em 2019. Projeto faz parte de uma visão mais ampla da autarquia, em termos de hotelaria, cujo investimento global pode rondar os €19 milhões

Alda Martins

Vai nascer um hotel no Seixal na antiga fábrica de cortiça, a Mundet. São cerca de cinco milhões de euros de investimento que fazem parte de um plano maior que está a transformar esta cidade ribeirinha na margem sul do Tejo.

“Estamos a concretizar as ideias que tínhamos no ano passado, ao nível da viabilização, e estamos, neste momento, a apresentar três projetos turísticos [nas zonas ribeirinhas de Seixal e Amora e Baía do Corvos]”, disse o presidente da Câmara, Joaquim Santos, em entrevista ao Expresso. Para já, a estimativa, só na vertente de hotelaria, aponta para um investimento total de cerca de €19 milhões, a arrancar em 2019.

Grupo luso-francês 
interessado

Na zona ribeirinha de Seixal, o hotel da Mundet, uma unidade hoteleira de 4 ou 5 estrelas, com capacidade entre 120 e 150 quartos, é que o que está em fase mais avançada. O processo de concurso vai ser lançado até final de junho e a pré-qualificação só admitirá candidatos que demonstrem que o seu projeto “está de acordo com aquilo que o município pretende, nomeadamente, uma ligação à cortiça e ter já unidades em operação [experiência no sector da hotelaria]”, referiu o autarca, garantido que há um interessado. Um grupo luso-francês cujo nome não quis revelar.

Antiga fábrica da Mundet, à entrada do Seixal. Depois de vários anos 
sem rumo definido será agora convertida em hotel de luxo

Antiga fábrica da Mundet, à entrada do Seixal. Depois de vários anos 
sem rumo definido será agora convertida em hotel de luxo

FOTO Nuno Botelho

O objetivo é que o concurso fique concluído em julho, com o vencedor a ter seis meses para iniciar a obra. Pelas contas do Joaquim Santos, se tudo correr como planearam, o hotel estará pronto no início de 2020.

Ainda na zona ribeirinha de Seixal, com o estudo de viabilidade quase concluído, um projeto mais arrojado. O hotel Largo dos Restauradores, associado a um porto de recreios, com capacidade para 188 embarcações e para um conjunto de espaços de apoio — restaurantes, centros náuticos, etc. “Vamos fazer um encontro no centro náutico para apresentar o projeto ainda em junho. Já temos entidades a dizerem que é interessante, mas ainda não tivemos qualquer grupo a verbalizar um interesse efetivo.” No total, este projeto integrado deve rondar os €11 milhões, dos quais três milhões no hotel.

A Quinta da Trindade fecha o lote dos projetos em marcha para a frente ribeirinha de Seixal. “Tivemos várias abordagens. Estivemos em Cannes, vamos estar em Paris e no SIL [Salão Imobiliário de Portugal] em outubro. Pensamos que no futuro podem haver interessados”, afirmou com convicção o autarca, lembrando que a quinta oferece “uma localização privilegiada junto à baía do Seixal, ao rio Tejo, ao terminal fluvial e ao centro de estágios do Sport Lisboa e Benfica”. Neste caso o investimento pode atingir os seis milhões de euros.

Aos três projetos hoteleiros de Seixal, junta-se o hotel de Amora, cujo investimento ronda os cinco milhões de euros, numa estimativa inicial da câmara. A Amora esteve, até agora, fora da rota de qualquer destino de turismo, mas o líder do município assegura que as coisas vão mudar. “Vamos associar à requalificação do estádio da Medideira [um investimento camarário de €3,5 milhões] a criação de um centro náutico: uma zona de parque e praça, com um hotel, com porto de recreio ao lado.”

Polo de excelência náutica

“A visão para o local é a de um hotel modelo idêntico ao da Mundet”, disse, acrescentando que “este projeto é o mais recente porque adquirimos o terreno em dezembro de 2017 e construímos esta proposta há cerca de um mês. Mas corresponde à nossa visão de que toda a baía do Seixal tem condições para se constituir como um polo de excelência não só da náutica, como do turismo”.

A terceira frente de dinamização é a Ponta dos Corvos. Cerca de 90 hectares que voltarão a ter qualidade balnear em 2019. “Pretendemos um projeto que, preservando toda a natureza implícita neste território [cerca de 2,5 quilómetros de extensão], seja de natureza turística e ambiental, com construção sustentável”, assegurou o responsável.

“Falámos com os cinco proprietários e vamos desenvolver um plano de pormenor em conjunto, que vai possibilitar que se urbanize, entre aspas. A única coisa que se pode fazer nesta reserva ecológica é reabilitar o património já construído — as antigas secas do bacalhau e os antigos moinhos de maré — e só construir amovíveis, na nossa opinião em madeira.”

Ainda não é possível fazer um cálculo do investimento necessário porque está a ser feito o levantamento junto dos proprietários, mas, “felizmente, há uma pessoa que mostrou interesse, um português que já tem um projeto deste tipo testado, em um outro local, e que corresponde à nossa visão”, reforçou Joaquim Santos. “Pode ser a próxima ilha da fantasia às portas de Lisboa.” [risos]

Em outubro o Seixal será a primeira cidade convidada da iniciativa SIL Cidades, que o Salão SIL vai instituir na edição deste ano, que se a realiza entre 3 e 7 de outubro. O presidente da Câmara não tem dúvidas que a escolha está relacionada com o trabalho que têm vindo a fazer em matéria de reabilitação, imobiliário e turismo.