Economia

Um apartamento por €50 milhões

Em Nova Iorque continuam a ser batidos recordes de preços na habitação, tanto nas vendas como nos arrendamentos


Gary Hershorn/Getty Images

Dispõe de vista sobre o rio Hudson e sobre a cidade de Nova Iorque, tem três andares e cerca de 900 metros quadrados

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Quem esteve recentemente em Nova Iorque, nos Estados Unidos, já ouviu falar do Highline. Era uma antiga linha de comboios de mercadorias, junto ao rio Hudson, que se estendia ao longo de 22 quarteirões, entre a rua do Empire State Building e parte da baixa de Manhattan e que tinha a particularidade de estar mais ou menos nove metros acima do solo. Ora, há cerca de dez anos, esta linha, há muito desativada e abandonada, foi transformada num jardim e criou um novo foco de interesse imobiliário na cidade, com uma série de edifícios a surgir à sua volta, nomeadamente na zona de Chelsea.

Foi precisamente neste pequeno bairro de Manhattan, num novo condomínio de habitação chamado The Getty, que está ainda em construção mesmo colado ao Highline, que se vendeu, em maio, um apartamento por €50,4 milhões (59 milhões de dólares).

Ou seja, foi a venda mais cara em Nova Iorque durante aquele mês e também um novo recorde na venda de apartamentos na baixa da cidade, segundo avança o “New York Times”. O recorde anterior, diz o jornal na sua secção de imobiliário, tinha sido atingido em janeiro de 2014 quando foi vendido um outro apartamento na mesma zona por €43,5 milhões (50,9 milhões de dólares).

O apartamento agora vendido fica no último andar do edifício, que terá 12 pisos, e além das vistas de que gozará, não só sobre o rio Hudson mas também sobre a cidade, tem três andares e cerca de 900 metros quadrados. Na verdade, escreve o “New York Times”, trata-se da junção de um duplex com outro apartamento, ficando assim com seis quartos e sete casas de banho, duas salas e duas cozinhas e um suíte que ocupa um andar inteiro. Tem ainda um terraço com piscina privada. Tudo valências que justificam o preço de venda do apartamento, que, segundo o jornal norte-americano, terá sido comprado por um Robert F. Smith, fundador da Visa Equity Partners em Austin, no estado do Texas.

Recordes também 
no arrendamento

Maio foi um mês de recordes no imobiliário residencial em Nova Iorque. Além da venda do apartamento no The Getty, ainda em planta, houve registo da celebração de contratos de arrendamento com valores mensais que, segundo o “New York Times”, são surpreendentes, mesmo para Manhattan: €8,5 mil e €21 mil por mês (10 mil e 25 mil dólares, respetivamente).

Neste caso, o edifício não fica junto ao Highline, mas sim no Upper West Side, ou seja, junto ao Central Park, onde se encontram alguns dos apartamentos mais caros da cidade. O edifício vai ter 19 pisos, 72 casas, e está praticamente concluído. E, apesar dos preços, 30% já está arrendado. “São apartamentos para uma fatia muito específica do mercado”, diz ao “New York Times” a CEO e presidente da promotora que está a fazer a obra, Amy Rose.

Mas porquê? O que justifica estes preços, mesmo numa cidade com valores muito elevados? Segundo o jornal, não são as áreas, já que alguns têm apenas cerca de 120 metros quadrados. Mas é tudo em open space, os pés direitos são altos, as janelas largas e há closets no quarto principal. Além disso, têm dispensas nas cozinhas, uma característica que é normal existir em qualquer casa portuguesa mas que não é muito comum nos apartamentos em Nova Iorque.

E depois há os extras todos, típicos de um edifício de luxo: um terraço comum com lareira, bar e kitchenette, cadeiras, grelhadores e cabanas com televisão, sala para crianças e outra para adolescentes, ginásio, estúdio de ioga, simulador de golfe, meio campo de basquetebol e, porque não?, diz Amy Rose, uma pequena pista de bowling. “Acho que não deixámos nada de fora”, comentou a “The New York Times”.