Economia

Há mais empresas a nascer em Portugal (e a encerrar também)

O sector do alojamento e restauração tem registado dinamismo na criação de novos negócios

Marcos Borga

O número de empresas criadas em Portugal no primeiro semestre do ano aumentou 11% face ao período homólogo. Mas os encerramentos aumentaram mais. De janeiro a junho deste ano, o número de negócios que fracassaram cresceu 12,7% face ao ano passado. Os dados constam do último relatório da Informa D&B agora divulgado.

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Entre janeiro e junho deste ano nasceram 24.415 empresas em Portugal. Serviços (com 7.943 negócios criados), Alojamento e Restauração (2.939) e Retalho (2.869) lideram o ranking de sectores com maior dinâmica na criação de novos negócios, segundo o último Barómetro empresarial da Informa D&B. Os números traduzem um crescimento de 11% face aos primeiros seis meses do ano passado. Mas nem tudo são boas notícias. No primeiro semestre de 2018, o número de empresas que encerraram (7.943) registou uma subida de 12,7% face a 2017.

A evolução positiva na criação de novos negócios é transversal a quase todos os sectores de atividade, mas as atividades ligadas ao turismo dão um forte contributo para o crescimento apurado, em especial nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal. Seja na área do alojamento, atividades imobiliárias ou até nos transportes.

O sector do Alojamento e Restauração criou nos primeiros seis meses do ano mais 222 empresas do que em igual período de 2017. Uma variação de 8,2%. O maior contributo vem do Alojamento, em particular o alojamento mobilado para turistas, apesar da restauração ainda representar dois terços do número de novas empresas criadas no sector. E não foi a área que mais cresceu.

Embora seja difícil delimitar com exatidão, entre o número de empresas criadas nestes sectores, as que estarão diretamente relacionadas com as actividades turísticas, a consultora reforça o crescimento registado em áreas como as atividades imobiliárias e os transportes. Sectores que sofreram um forte impulso face ao período homólogo, com um crescimento no número de novas empresas de 33,8% e 54,8%, respetivamente .

No sentido oposto evoluiu a Agricultura, Pecuária, Pesca e Caça que acentuou a descida na constituição de novas empresas iniciada no segundo semestre do ano passado. O sector criou menos 398 empresas (uma redução de 35,7%) do que no primeiro semestre de 2017. Uma quebra que foi sobretudo sentida na região do Alentejo.

Encerramentos de empresas aumentam

Segundo o barómetro agora divulgado, o número de processos de insolvência iniciados tenha diminuido 12,4% dace a 2017, encerram mais empresas dos primeiros seis meses deste ano do que em período homólogo. De Janeiro a junho, 7.630 empresas (+12,7%) fecharam atividade invertendo a tendência de descida no número de encerramentos verificada no último ano.

O aumento do encerramento de empresas afeta os seis principais sectores do tecido empresarial. Serviços, Retalho, Indústrias Transformadoras, Construção, Alojamento e Restauração e Grossistas respondem juntos por 90% do aumento registado no número de empresas encerradas face a 2017. A maior expressão vai para os sectores Grossista, onde o número de empresas que cessaram atividade cresceu 31,7%, e para as Indústrias Transformadoras com um aumento de 15,5%, sustentado sobretudo na indústria têxtil, do vestuário e do couro. O número de empresas encerradas foi maior no Porto (329) do que em Lisboa (210), traduzindo aumentos de 31,2% e 9,7%, respetivamente, face ao período homólogo.

O relatório da Informa D&B analisa também o cumprimento dos prazos de pagamento para concluir que apenas 15,2% das empresas em Portugal pagam dentro dos prazos acordados. O atraso médio de pagamento é de 26 dias e dois terços das empresas em Portugal pagam num máximo de 30 dias depois do prazo acordado com os fornecedores. A situação tem vindo a agravar-se desde setembro de 2017, atingindo no primeiro semestre deste ano um dos piores registos desde 2007.