Economia

Investimento de €85 milhões da Celtejo entra em consulta pública

Instalações da Celtejo em Vila Velha de Rodão

Nuno Botelho

Projeto para a fábrica de pasta de papel de Vila Velha de Ródão prevê novos equipamentos e precisa de obter nova licença ambiental

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) abriu esta segunda-feira um período de consulta pública sobre o licenciamento ambiental de um projeto de investimento da Celtejo no valor de 85 milhões de euros, que inclui uma série de melhorias na fábrica de pasta e papel que a empresa tem em Vila Velha de Ródão, Castelo Branco.

A consulta pública promovida pela APA irá decorrer até 3 de agosto e visa recolher contributos sobre o pedido de atualização da licença da Celtejo. Mas na documentação agora disponibilizada, a APA adianta já que a decisão a emitir por si terá por base o pressuposto de que a empresa não aumente a capacidade instalada da fábrica, por forma a não ampliar as descargas poluentes na albufeira de Fratel.

O projeto da Celtejo prevê um investimento de 85,3 milhões de euros e no pedido de licenciamento a empresa estimava um aumento da capacidade instalada de 18% face à capacidade da licença emitida em 2015.

O investimento da Celtejo contempla também um conjunto de novos equipamentos, nomeadamente uma caldeira de recuperação e uma nova estação de tratamento de águas residuais industriais.

O projeto da empresa tem como principais objetivos, aponta a Celtejo nos documentos enviados à APA, “dar resposta cabal às atuais exigências do mercado pela melhoria contínua da qualidade”. A Celtejo assegura que “este projeto de alteração permitirá reduzir o impacto ambiental da atividade da empresa”.

A Celtejo esteve debaixo de fogo em janeiro, devido às descargas feitas no rio Tejo, que levaram o Governo a estabelecer restrições às descargas que a empresa poderia fazer.

No esclarecimento apresentado agora no âmbito da consulta pública, a APA salienta que um aumento da capacidade da Celtejo corresponderia a um aumento da carga poluente, o que torna “premente a necessidade de reduzir significativamente as cargas afluentes a esta massa de água de forma a permitir atingir os objetivos ambientais definidos no Plano de Gestão de Região Hidrográfica do Tejo e Ribeiras do Oeste”.