Economia

Solidal tem 330 trabalhadores com salários em atraso e procura investidores

Administração explica que ainda não conseguiu pagar os salários por ter sido “surpreendida” com a “indisponibilidade de apoio” por parte do seu principal banco

A administração da fábrica de condutores elétricos Solidal, em Esposende, admitiu nesta terça-feira que ainda não pagou os salários de junho aos seus 330 trabalhadores e adiantou que procura investidores para a sua viabilização a longo prazo.

Em nota enviada à Lusa, a administração explica que ainda não conseguiu pagar os salários por ter sido "surpreendida" com a "indisponibilidade de apoio" por parte do seu principal banco. Sublinha que, em 50 anos de história, esta foi "a primeira vez" que não logrou o "pagamento pontual" dos salários.

"A lei laboral faculta apoios sociais e proteção contra credores aos trabalhadores com salários em atraso e a empresa disponibilizou-se para colaborar no máximo das suas possibilidades", lê-se ainda na mesma nota. Acrescenta que o conselho de administração da empresa tem reunido periodicamente com todos os trabalhadores, "prestando todas as informações relevantes".

A questão dos salários em atraso na Solidal foi levada à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, que exigiu uma "intervenção urgente" que permita garantir que a legislação laboral é cumprida e que os salários são pontualmente pagos. O Bloco pediu ainda um acompanhamento do Governo relativamente à situação económica da empresa. Em requerimento dirigido ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social, o Bloco refere que a empresa tem obtido "importantes financiamentos públicos", através do QREN, que ascendem acerca de 12 milhões de euros.

"O pagamento pontual da remuneração é uma das principais obrigações das entidades empregadoras, sendo preocupante que uma empresa com esta dimensão possa estar em risco de deixar de laborar, invocando a necessidade de um investimento para assegurar a laboração e o pagamento de salários", diz ainda o requerimento dos bloquistas.

Na resposta enviada à Lusa, a Solidal diz que está a negociar com dois investidores "credíveis" a tomada de uma participação de controlo, tendo em vista a sua viabilização a longo prazo. Acrescenta que, caso as negociações em curso com os investidores tenham sucesso, "a empresa tem condições para crescer e criar emprego". Um dos investidores em causa é estrangeiro.

A administração da Solidal acusa o Bloco de Esquerda de estar "intencional e maliciosamente" a deteriorar a imagem da empresa, "em prejuízo dos trabalhadores". Lembra que a preservação do valor da empresa e do negócio que desenvolve é "fundamental" para o sucesso das negociações em curso e, consequentemente, para a manutenção dos seus postos de trabalho.

A empresa emprega 330 pessoas, maioritariamente residentes nos concelhos de Esposende, Póvoa de Varzim, Barcelos e Porto. Caso as negociações em curso com investidores tenham sucesso, a empresa, garante a administração, "tem condições para crescer e criar emprego".

A Solidal está integrada no Grupo Quintas & Quintas, que entrou para a empresa em 1987, passando a deter a totalidade do capital social a partir de 1994. De acordo com o site do grupo, a Solidal e a subsidiária Quintas & Quintas Condutores Eléctricos representam, no concelho de Esposende, "26% do volume de negócios e quase 8% do emprego na indústria transformadora local".