Economia

Jorge Vasconcelos: "Dizer que as renováveis prejudicam a economia é falso"

Antigo presidente da ERSE lembrou no Parlamento que desde 2006 que o sobrecusto das renováveis é suportado sobretudo pelas famílias e não pela indústria, pelo que não há razão para imputar às energias limpas custos de competitividade

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

"Dizer que as energias renováveis prejudicam a competitividade da economia portuguesa é pura e simplesmente falso", afirmou Jorge Vasconcelos, antigo presidente do regulador da energia, na comissão parlamentar de inquérito sobre as rendas da energia.

O antigo presidente da ERSE - Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos salientou, na sua audição no Parlamento, que "desde 2006 os consumidores industriais não pagam o sobrecusto das energias renováveis", uma vez que a legislação vigente estipula que a maior parte desse custo seja imputada aos clientes abastecidos em baixa tensão (consumdores domésticos).

Jorge Vasconcelos enfatizou que "as energias renováveis têm contribuído objetivamente para a competitividade da economia portuguesa", uma vez que o volume de energia limpa gerado nos últimos anos em Portugal tem preenchido uma parte significativa da procura de eletricidade, fazendo baixar o preço grossista da eletricidade no mercado.

Se não houvesse renováveis, argumentou Vasconcelos, o preço de mercado da eletricidade em Portugal e Espanha seria mais elevado, penalizando as empresas.

O antigo presidente da ERSE admitiu que "é verdade" que as indústrias não são prejudicadas pela subsidiação dos produtores de energias renováveis porque o encargo vai parar aos clientes domésticos.

Mas segundo Jorge Vasconcelos a solução para esse problema seria "simples". "Bastava que em vez de serem os consumidores domésticos a pagar o sobrecusto das renováveis fossem os contribuintes a pagar", sugeriu.

As energias renováveis têm contribuído objetivamente para a competitividade da economia portuguesa.