Economia

Paula Amorim e Claude Berda sofrem revés na corrida à compra da Comporta

Herdade da Comporta tem vários interessados

Maurício Abreu

Dossiês sobre a comparação das ofertas pela Herdade da Comporta foram corrigidos, com uma alteração que deixa em vantagem a proposta feita pelo empresário britânico Mark Holyoake e pela portuguesa Portugália

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A corrida à compra da Herdade da Comporta, que deverá ser decidida a 27 de julho numa assembleia dos participantes do fundo imobiliário da Comporta, pôs os concorrentes numa batalha de bastidores para conseguir convencer os donos da herdade que pertencia à família Espírito Santo. E o mais recente desenvolvimento poderá desequilibrar a balança a favor do consórcio entre o empresário britânico Mark Holyoake e a Portugália, em prejuízo da aliança firmada entre a empresária Paula Amorim e o francês Claude Berda.

A Gesfimo, sociedade gestora do fundo imobiliário da Herdade da Comporta, enviou um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários dando conta de uma correção nos dossiês que serão analisados pelos participantes do fundo, nomeadamente o quadro comparativo das propostas que estão em cima da mesa.

“A correção ora notificada deve-se à necessidade de precisar que a proposta de aquisição dos investidores Oakvest & Portugália não inclui no perímetro da transacção os créditos do Herdade da Comporta – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado sobre a DCR&HDC Developments – Actividades Imobiliárias, Lda”, explica a Gesfimo.

Trata-se de um ponto crítico no processo de compra da Herdade da Comporta. O consórcio Oakvest & Portugália tinha oferecido uma contrapartida de 36,5 milhões de euros (além da assunção da dívida à Caixa Geral de Depósitos, no valor de 119 milhões de euros), enquanto a aliança concorrente entre Paula Amorim e Claude Berda tinha proposto 28 milhões de euros. Mas o consórcio de Paula Amorim e Claude Berda tem procurado transmitir aos participantes do fundo a mensagem de que a sua oferta é mais vantajosa dado não incluir os créditos sobre a DCR&HDC (no valor de 8,2 milhões de euros), ao contrário do que a Oakvest & Portugália alegadamente terão proposto (incluindo a aquisição daqueles créditos).

Com a diferença no tratamento dos créditos da DCR&HDC, a diferença na contrapartida em dinheiro entre as duas ofertas concorrentes ficava anulada, deixando as duas propostas empatadas nos 156 milhões de euros, como o Expresso escreveu no último sábado.

Contudo, a correção agora feita nos dossiês das propostas (e que a Gesfimo diz decorrer de pontos existentes em cartas da Oakvest e da Portugália de 17 de abril e de 9 de maio) põe Paula Amorim e Claude Berda num plano de desvantagem, dado que o valor global da sua proposta ficará cerca de 8 milhões de euros aquém da oferta concorrente de Mark Holyoake e da Portugália.

Uma terceira proposta de compra da Herdade da Comporta, apresentada pelo francês Louis-Albert de Broglie, parece estar ainda mais para trás, dado que oferece uma contrapartida única de 115 milhões de euros (insuficiente para liquidar a dívida com a Caixa Geral de Depósitos).

A assembleia de 27 de julho, a realizar em Lisboa, permitirá aos participantes do fundo da Herdade da Comporta deliberar sobre qual a oferta vencedora, entre as três que estão em cima da mesa. A Gesfimo já havia selecionado a proposta da Oakvest e da Portugália como a melhor, mas o Novo Banco, que é um dos participantes de referência do fundo, decidiu levar a votos também as outras ofertas.

O fundo da Herdade da Comporta é detido em 59% pela insolvente Rioforte (antigo braço não financeiro do Grupo Espírito Santo) e em cerca de 15% pelo Novo Banco, estando as restantes unidades de participação dispersas por diversos investidores, vários dos quais ainda pertencerão à família Espírito Santo, segundo as informações recolhidas pelo Expresso.