Economia

Empresas portuguesas atrás da média europeia na implementação da inteligência artificial

getty images

45% das empresas nacionais ainda não começaram a introduzir a inteligência artificial para melhorar processos e tarefas. Na Europa apenas 29% ainda não o fizeram, conclui estudo encomendado pela Microsoft à Ernst & Young

As administrações das empresas em Portugal reconhecem que a inteligência artificial (IA) é importante, mas o país ainda se encontra na infância no que toca à implementação desta tecnologia nas empresas. É isto que, de forma resumida, conclui o estudo “Inteligência Artificial na Europa”, encomendado pela Microsoft à consultora Ernst & Young e divulgado esta manhã.

Nele se conclui que 45% das empresas portuguesas ainda não iniciaram projetos-piloto com IA para melhorar os seus processos e tarefas. O número está bastante acima da média europeia, onde 29% das empresas ainda não o fizeram.

Apesar disso, a utilização da IA pelas organizações na Europa ainda está numa fase embrionária. Apenas 4% dos líderes reportam que as suas empresas estão num estágio avançado de implementação da tecnologia - ou seja, apenas estes consideram que “a IA está a contribuir ativamente para muitos processos na empresa e a possibilitar tarefas bastante avançadas nos dias de hoje”.

Outros 28% recorrem à IA de forma seletiva ou em alguns processos da empresa e metade ainda está numa fase de planeamento ou em estágio inicial de projetos-piloto. Apenas 7% das firmas dizem não estar a considerar a IA nesta fase.

Gestores mais conscientes

Apesar de ainda terem um baixo nível de ‘inteligência’ no que diz respeito à implementação, dois terços das empresas acreditam que a IA é importante junto da administração. E 86% consideram que é tão ou mais importante que outras prioridades digitais.

A maioria dos líderes das organizações em Portugal (91%) tem a expetativa que a IA beneficie os negócios através da otimização das operações. Muitos acreditam também que esta tecnologia será uma peça-chave para envolver os clientes (77%), libertar os trabalhadores de tarefas repetitivas para se dedicarem a atividades de valor acrescentado (73%) e garantir melhorias na transformação de produtos e serviços (55%).

Além disso, metade das organizações portuguesas esperam ver um grande impacto em áreas de negócio centrais e 45% têm essa expetativa para novas áreas de negócio.

Mas são os gestores que estão mais conscientes dos benefícios da tecnologia - e os portugueses, concretamente, são mais otimistas que os congéneres europeus. 68% dos membros do conselho de administração de empresas em Portugal considera a IA como muito relevante, número significativamente superior à média europeia (38%). A percentagem é também maior quando se compara a perceção dos gestores com a dos operacionais: apenas 28% dos trabalhadores acreditam que este é um tema importante.

Investimento em IA cresce

Na última década verificou-se um aumento dos investimentos em IA, maioritariamente realizado por fundos de capital privado ou de risco (75%).

França é o país europeu que lidera esses investimentos, com 165 acordos fechados no valor de 1357 milhões de dólares. Seguem-se-lhe a Alemanha (140 acordos e 520 milhões de dólares) e a Dinamarca (21 acordos e 330 milhões de dólares).

Só em 2017, foram registadas 1334 transações nos países analisados, um número que a Ernst & Young espera que aumente, com o interesse crescente por parte de grandes empresas no investimento ou aquisição de recursos de IA a startups.

Muito falada, pouco compreendida

“Ouvimos muitas pessoas em diversas empresas falarem sobre a IA. Apesar da moda estar generalizada, não há muitas pessoas que compreendam completamente o seu potencial tecnológico, onde pode criar valor ou como começar”, lê-se no estudo. “Este relatório procura mostrar o motivo pelo qual as organizações europeias estão a investir na IA, em que é que estão a investir e como é que estão a gerir o processo complicado de adoção desta nova tecnologia e valor consequente ao longo das oportunidades de negócios.”

Robótica inteligente, reconhecimento de voz, assistentes virtuais, processamento de linguagem natural (interpretação e produção de linguagem humana escrita), análise de texto, biometria, machine learning (capacidade de aprendizagem dos sistemas a partir dos dados), redes neurais e deep learning (máquinas que imitam o cérebro humano, permitindo que modelos de IA aprendam como os humanos) e visão computacional (dar às máquinas a capacidade de ‘ver’ como os humanos) são as tecnologias incluídas pelo estudo na definição de IA.

Já a AI Leadership (impacto da IA na liderança), a gestão de dados e a análise de dados são os três recursos considerados mais importantes pelos entrevistados para iniciar processos de IA nos seus negócios.

O estudo foi realizado a partir de inquéritos e entrevistas a 277 líderes de empresas em sete sectores e 15 países na Europa. Em Portugal, as empresas participantes foram a EDP, o Crédito Agrícola, a Galp, o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto e os grupos Ascendum, Nabeiro - Delta Cafés, Pestana, Visabeira e Impresa (dona do Expresso).