Economia

FMI melhora estimativa do défice português mas prevê saldo negativo até 2020 (e excedente em 2022)

De acordo com o ‘Fiscal Monitor’, relatório com as previsões orçamentais mundiais, divulgado esta terça-feira, o FMI melhorou a estimativa para o défice português este ano para 0,7% do PIB, em linha com o previsto pelo Governo e inferior ao estimado pela instituição em abril (1%)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhora a estimativa do défice português para 2018 e 2019, mas prevê que o saldo se mantenha negativo até 2020 e o primeiro excedente apenas em 2022, ao contrário do que antecipa o Governo.

De acordo com o ‘Fiscal Monitor’, relatório com as previsões orçamentais mundiais, divulgado esta terça-feira, o FMI melhorou a estimativa para o défice português este ano para 0,7% do PIB, em linha com o previsto pelo Governo e inferior ao estimado pela instituição em abril (1%).

Para 2019, o Fundo projeta agora um défice orçamental de 0,3% do PIB (contra 0,9% em abril), mas acima dos 0,2% previstos pelo executivo no Programa de Estabilidade 2018-2022.

As estimativas orçamentais para Portugal do FMI até 2023 foram melhoradas face às projeções de abril da instituição, mas ainda assim continuam menos otimistas do que as do executivo de António Costa.

No Programa de Estabilidade, o Governo compromete-se com um défice próximo de zero (0,2% do PIB) já em 2019, último ano da legislatura e ano de eleições legislativas e europeias. A partir daí são esperados excedentes orçamentais que crescem todos os anos: 0,7% do PIB em 2020, 1,4% em 2021 e 1,3% em 2022.

No entanto, o FMI – que tem como base um cenário de políticas invariantes para os próximos anos – acredita que o primeiro excedente, de 0,2% do PIB, aconteça apenas em 2022.

Para 2020, a instituição liderada por Christine Lagarde prevê ainda um saldo negativo de 0,2%, atingindo-se um défice zero só em 2021.

Já o saldo primário, que exclui os encargos com a dívida pública, vai manter-se acima dos 2% neste período de previsões, segundo o FMI: 2,6% em 2018 e 2,9% nos anos seguintes até 2023.

As projeções referentes a Portugal, que são coordenadas pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar – agora diretor do FMI –, baseiam-se no Orçamento do Estado para 2018 e foram "ajustadas para refletir as previsões macroeconómicas" do Fundo