Economia

Portugal paga mais em leilão de dívida depois do contágio italiano

O Tesouro colocou esta quarta-feira €782 milhões em obrigações a 10 anos pagando 1,939%, a segunda taxa mais elevada do ano. O contágio italiano recente levou os juros no mercado secundário a ultrapassarem os 2% esta semana, o que indiciava a subida que se registou no leilão

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal colocou esta quarta-feira €782 milhões em Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos tendo pago uma taxa de 1,939%, a segunda mais elevada do ano num leilão de dívida. A procura foi 2,78 vezes superior ao montante pretendido pelo Estado. Na altura do leilão, os juros (yields) no mercado secundário estavam acima de 1,96%.

O custo de financiamento da dívida a 10 anos estava em trajetória de subida desde o mínimo pago no leilão de maio.

Na emissão anterior, em setembro, o Tesouro pagou 1,854%, um juro superior às taxas pagas nos leilões de março, maio e julho. Em março, conseguiu inclusive pagar 1,67%, o juro mais baixo de sempre em operações no mercado. Em fevereiro, no primeiro leilão de 2018 desta nova linha de obrigações a vencer em 2028, o Estado pagou 2,046%, a taxa mais elevada do ano até agora.

A subida verificada esta semana no mercado secundário da dívida, com os juros (yields) a galgarem os 2%, já indiciava que o Tesouro iria pagar mais no leilão desta quarta-feira do que nas emissões anteriores desde março. O contágio italiano tem estado a pressionar os juros da dívida dos restantes periféricos do euro.

Apesar da subida nos juros pagos, o leilão foi positivo no entender de Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa. "Foi um leilão com muita procura, o que demonstra o interesse dos investidores na taxa de juro paga por estas OT. Ainda assim, foi uma emissão com sucesso para o Estado português que conseguiu, mais uma vez, financiar-se a longo prazo pagando uma taxa historicamente baixa para o risco português. Mais importante que isso, Portugal emite dívida longa abaixo do custo médio da dívida pública, cuja taxa (de cupão) média se situa nos 3,85%", referiu o analista.