Economia

Bolsas asiáticas afundam-se. Europa abre no vermelho. Trump diz que a Fed está "louca"

Win McNamee/Getty

As bolsas da Ásia fecharam esta quinta-feira com quedas entre 2% e 6%. Tóquio perdeu quase 4% e Xangai afundou-se mais de 5%. As praças da zona euro abriram em terreno negativo, com Madrid a liderar as quedas. É o segundo dia consecutivo em outubro com perdas acentuadas à escala mundial. Trump desferiu ataque sem precedentes ao banco central dos EUA

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam esta quinta-feira com perdas acentuadas, depois de uma quarta-feira negra em Nova Iorque e nas praças latino-americanas.

Depois do 'choque FMI', anunciando uma revisão em baixa das previsões económicas mundiais para os próximos anos e alertando para o risco de uma escalada na guerra comercial, o presidente Trump desferiu na quarta-feira à noite um ataque, sem precedentes, contra o banco central do seu país, considerando que a Reserva Federal (Fed) "virou louca".

Na entrevista à cadeia de televisão Fox, o presidente norte-americano criticou com mais contundência, do que em ocasiões anteriores, a política da Fed em subir a taxa diretora. Sobre o trambolhão na quarta-feira nas bolsas de Nova Iorque, Trump desvalorizou considerando que se trata de "uma correção esperada já há algum tempo". O presidente norte-americano procura centrar na política monetária de subida de juros seguida por Jerome Powell, o presidente da Fed que ele escolheu, o culpado da turbulência, desviando a atenção da guerra comercial que desencadeou.

Ao 'choque FMI' vindo de Bali, na Indonésia, onde decorre a assembleia geral da organização liderada por Christine Lagarde, associa-se, agora, o golpe político de Trump sobre a equipa do banco central do seu país, arruinando a confiança dos investidores sobre a independência da Fed e o rumo futuro da política monetária.

Se fevereiro foi considerado pelos analistas um "mês insano", com as quedas do índice bolsista mundial de quase 3% a 5 de fevereiro e de 2,5% a 8 de fevereiro, outubro poderá seguir-lhe os passos.

As duas principais bolsas asiáticas, Tóquio e Xangai, registaram perdas de 3,96% e 5,22% respetivamente. Na principal bolsa chinesa, a queda foi a maior do ano, à frente do recuo de 4% registado a 9 de fevereiro. O maior trambolhão esta quinta-feira na Ásia registou-se na bolsa de Hanói, com o índice a afundar-se 6,7%. O índice MSCI para a Ásia perdeu 3,4% esta quinta-feira, depois de na sessão anterior ter ficado na linha de água.

A Europa abriu no vermelho. A bolsa de Madrid lidera as quedas na zona euro, com o Ibex 35 a perder 1,5%. Em Moscovo, o índice RTSI está a perder perto de 2%, a queda mais acentuada nas praças europeias. Em Lisboa, o PSI 20, segue a tendência negativa europeia, com um recuo de mais de 1%.

  • O índice mundial caiu na quarta-feira 2,15%, a terceira maior queda diária depois das quebras de 5 e 8 de fevereiro. Em Nova Iorque, o Nasdaq sofreu a maior queda em pontos em dezoito anos. O índice de pânico financeiro teve o segundo maior disparo do ano. Lisboa registou a segunda maior queda do ano. O Dow Jones viveu a terceira maior queda da sua história