Economia

Quarta-feira negra. Terceira pior sessão do ano nas bolsas

O índice mundial caiu na quarta-feira 2,15%, a terceira maior queda diária depois das quebras de 5 e 8 de fevereiro. Em Nova Iorque, o Nasdaq sofreu a maior queda em pontos em dezoito anos. O índice de pânico financeiro teve o segundo maior disparo do ano. Lisboa registou a segunda maior queda do ano. O Dow Jones viveu a terceira maior queda da sua história

As bolsas à escala mundial registaram na quarta-feira perdas de 2,15%, a terceira pior sessão do ano depois das quebras de 2,96% a 5 de fevereiro e de 2,45% três dias depois, segundo o índice MSCI global. Os analistas etiquetaram fevereiro como um mês "insano" nos mercados financeiros. Outubro parece seguir pelo mesmo caminho.

Os mercados financeiros estão a agitar-se com o 'choque FMI'. O Fundo Monetário Internacional (FMI), a partir de Bali, na Indonésia, onde decorre a sua assembleia anual, anunciou uma revisão em baixa da previsão para o crescimento económico mundial para este ano e o próximo, e alertou que uma escalada na guerra comercial iniciada pela Administração Trump poderá provocar um choque ainda maior no PIB mundial até 2023.

O pior desempenho desta quarta-feira negra ocorreu em Nova Iorque. O índice MSCI para os EUA caiu 3,28%. O principal índice de Wall Street, o Dow Jones 30, recuou 3,2%, a terceira pior sessão do ano, depois das perdas de 4,6% e 4,15% a 5 e 8 de fevereiro respetivamente. A Ásia foi a região com melhor desempenho nesta quarta-feira negra. O índice MSCI respetivo ficou neutro.

Pânico financeiro em Wall Street

O termómetro de pânico financeiro em Wall Street, o índice VIX relacionado com o S&P 500, registou esta quarta-feira a segunda maior subida diária do ano. Subiu 43,95%, atrás apenas do disparo de 115,6% a 5 de fevereiro. O VIX fechou na quarta-feira em 22,96 pontos, ainda abaixo do máximo do ano registado a 5 de fevereiro, quando atingiu 37,32 pontos.

No Dow Jones, a quebra desta quarta-feira foi a terceira maior queda diária da sua história em pontos. O índice perdeu 831 pontos, abaixo apenas das quebras de 1175,2 pontos em 5 de fevereiro e de 1032,89 a 8 de fevereiro deste ano. A quarta maior queda, em pontos, da história deste índice registou-se a 29 de setembro de 2008, no auge da última crise financeira, com uma descida de 778 pontos.

No Nasdaq, a bolsa das tecnológicas de Nova Iorque, o índice perdeu 4%. Em percentagem foi a pior descida desde junho de 2016. Em pontos, o índice perdeu quase 316 pontos, a maior queda em dezoito anos, a terceira maior da sua história, depois dos crashes de 3 de abril e 14 de abril de 2000, quando rebentou a bolha das dot-com. O índice das 'estrelas' da nova economia, o FANG Plus, afundou-se 5,6%.

O segundo pior desempenho do dia nas bolsas registou-se na América Latina. O índice MSCI para esta região recuou 2,25%, com a bolsa de Buenos Aires a cair 3,6%, a maior queda do dia à escala mundial. Em São Paulo, depois da euforia com a vitória do candidato ultra Jair Bolsonaro na primeira volta das eleições presidenciais no domingo passado, o índice iBovespa perdeu 2,8% nesta quarta-feira negra mundial.

Dublin lidera quedas na Europa

O índice MSCI para a zona euro caiu 1,23%, com a bolsa de Dublin a liderar as quedas.O índice da bolsa irlandesa recuou 2,8%, seguido das quedas em Viena, Helsínquia e Frankfurt.

Em Lisboa, o índice PSI 20 recuou 2,2%, a segunda pior sessão do ano, depois das quedas de 2,6% a 29 de maio e 2% a 5 de fevereiro.

Apesar da pressão sobre a bolsa de Milão, o índice italiano MIB perdeu 1,71%, menos do Frankfurt ou Paris.

  • No pior cenário de escalada de guerra comercial e de reação negativa dos mercados, a taxa de crescimento da economia mundial pode reduzir-se perto de 1 ponto percentual nos anos de maior impacto negativo em 2019 e 2020. A zona euro pode ser a menos afetada. A China, os mercados emergentes e os EUA serão os mais castigados

  • Escalada na guerra comercial, alteração na perceção da geopolítica, incerteza política em grandes economias, dúvida sobre a resiliência das economias emergentes, aumento da dívida depois da crise, e normalização menos gradual da política monetária, sobretudo dos EUA, são fatores de risco, segundo o Global Financial Stability Report do FMI divulgado esta quarta-feira em Bali, na Indonésia