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Franceses recusam dar cheque em branco ao Presidente Macron

Axel Schmidt/GETTY

Partido de Emmanuel Macron conquistou a maioria absoluta nas legislativas deste domingo mas muito mais pequena do que o previsto e com uma abstenção recorde

A segunda volta das eleições legislativas foi marcada uma abstenção recorde (57,4%) e por um resultado muito mais fraco do que previsto pelas estimativas, depois da primeira volta, para o República em Marcha (REM) do Presidente Emmanuel Macron. O REM, aliado aos centristas do MODEM, conquista 350 lugares na Assembleia Nacional. O jovem partido do também jovem Presidente francês apenas contará realmente com 308 deputados (os restantes 42 são do Modem).

Os eleitores terão ficado assustados com as projeções lançadas entre as duas voltas, que apontavam para uma maioria esmagadora de cerca de 450 deputados num total de 577; optaram pela abstenção e retificaram as contas na segunda volta. Visivelmente, recusaram assinar um cheque em branco ao novo poder francês e o REM, sem o Modem, apenas fica com 19 deputados a mais do que a fasquia da maioria absoluta, que é de 289.

A direita de Os Republicanos terá 130 lugares, dos quais 17 serão para os centristas de direita da UDI e sete serão independentes. Os Republicanos poderão entrar em crise apesar de terem resistido à maré Macron. Muitos dos seus dirigentes mais moderados defendem a colaboração com o Governo de centro-direita formado pelo novo líder em França.

Os socialistas, com os ecologistas e o Partido Radical de Esquerda, terão no conjunto 33 lugares (21 para o PS, que poderá formar um grupo parlamentar por ter ultrapassado o mínimo de 15 deputados). O PS sofreu uma derrota histórica, entrou em crise profunda e o seu primeiro secretário, Jean-Cristophe Cabamdélis, demitiu-se logo a seguir à contagem dos votos deste domingo.

A esquerda mais radical, França Insubmissa e o Partido Comunista, que concorreram juntos, conquistou 28 lugares – 17 para o partido de Jean-Luc Mélenchon, que foi eleito e que poderá formar um grupo autônomo.

Pelo seu lado, a Frente Nacional (FN), da extremista Marine le Pen, que foi igualmente eleita, terá oito parlamentares mas não poderá formar um grupo.

Na FN há igualmente divergências sobre a linha do partido, mas a eleição da sua líder limita as críticas.

Marine le Pen e Jean-Luc Mélenchon reclamam contra o sistema eleitoral uninominal maioritário a duas voltas e pedem a introdução de pelo menos uma forte “dose” de proporcional para as futuras eleições. O novo poder promete fazê-lo, mas essa promessa fora também feita pelo anterior presidente, François Hollande – foi uma das muitas promessas que ele não cumpriu.

  • Recorde de abstenção e maioria para Macron

    Na segunda volta das eleições legislativas francesas todos têm razões para sorrir, nem que seja um sorriso amarelo, excepto a Frente Nacional que multiplica número de lugares por quatro ou cinco mas não consegue chegar aos 15 deputados que lhe dariam direito a grupo parlamentar