Internacional

Governo abre permanência consular anual nas Antilhas

Thais Llorca / EPA

Uma ilha devastada pelo furacão Irma, onde metade da população é portuguesa mas não há apoios consulares

Os mais de três mil portugueses residentes nas Antilhas francesas, sobretudo em São Bartolomeu, onde são quase metade da população, viveram sempre isolados e sem qualquer apoio de Portugal: dependem do consulado geral de Portugal em Paris, a 7000 quilómetros de distância.

Esta ligação à representação consular na capital francesa é considerada “uma aberração” por Carlos Pereira, ex-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) e diretor do semanário “Lusojornal”, editado em França. “Como podem estes portugueses ir tratar dos documentos de que necessitam a Paris?”, questiona o jornalista especializado em emigração portuguesa.

Também Paulo Marques, presidente da associação de autarcas de origem portuguesa, Cívica, e do CCP, critica e pede medidas urgentes. “O secretário de Estado das Comunidades já respondeu a um comunicado nosso , dizendo que vai ser aberta nas ilhas uma permanência consular uma vez por ano.”

Foi preciso um drama...

“Aquilo que critico é ter sido preciso ocorrer um drama para Portugal perceber que é preciso uma rede administrativa mínima nestas zonas”, acrescenta Paulo Marques. Finalmente um C-130 ajudou ao repatriamento de meia centena de pessoas após o desastre.

“Mas há outras ilhas não francesas onde também há portugueses e há o caso da Guiana francesa onde as fronteiras são fechadas completamente com muita frequência e onde os portugueses vivem totalmente isolados”, acrescenta o dirigente associativo, que também é autarca em Aulnais-sous-Bois, na região parisiense.

“A nacionalidade não é assunto acessório para fazer vista. Onde há portugueses tem de haver apoios de Portugal; para mim é uma questão de direitos”, acrescenta a investigadora em Filosofia política, Luísa Semedo, conselheira do CCP. Sobre a prometida delegação consular anual na região, Luísa Semedo sublinha ser “muito importante saber quanto tempo vai durar essa permanência”.

Construtores e mordomos

Só em São Bartolomeu, ilha devastada pelo furacão “Irma”, trabalham e vivem mais de 2600 portugueses e lusodescendentes. A maioria trabalha na construção civil, muitos têm empresas do sector e alguns são mordomos ou caseiros em vivendas secundárias de luxo de milionários, muitos deles artistas. Outros trabalham no turismo organizando por exemplo minicruzeiros entre as diversas ilhas da zona. Alguns têm imobiliárias viradas primordialmente para estrangeiros e franceses da metrópole. Paulo Marques diz que a Cívica tem uma delegação nas Antilhas que apoiou os portugueses após a tragédia e ajudou na evacuação de alguns deles.