Internacional

‘Viúva Branca’ e o filho de 12 anos mortos na Síria em ataque com drone

Sally Jones tinha decidido acompanhar o seu marido quando este foi juntar-se ao Daesh, na Síria. A execução da ‘Viúva Branca’, como era conhecida entre os jiadistas, terá sido realizada pelo exército americano

Luís M. Faria

Jornalista

Uma britânica de 50 anos foi morta, juntamente com o seu filho de 12 anos, num ataque com drone junto à fronteira entre a Síria e o Iraque, em junho passado. A informação só agora surgiu, meses após os factos, e embora não tenha sido absolutamente confirmada – recolher ADN era impossível nas circunstâncias – as autoridades têm uma confiança elevada de que seja verdadeira.

Sally Jones, oriunda de Kent, no sul de Inglaterra, era guitarrista numa banda de punk feminina chamada Krunch. Em 2013, decidiu seguir o seu marido muito mais novo, Junaid Hussain, que se tinha ido juntar ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh), no Iraque. Com ela foi JoJo, o filho que ela tinha de outro britânico, o qual contou mais tarde que o filho foi objeto de lavagens ao cérebro, que entre outras coisas incluíram assistir a execuções.

Uma vez em Madayin, uma terra fronteiriça, Jones começou a colocar na internet posts onde tentava recrutar outras mulheres numa rede chamada “Raqqa 12”. Também multiplicava ameaças aos ‘infiéis’: “Todos vocês cristãos precisam de ser decapitados com uma bela faca afiada e pregados às grades em Raqqa… Venham cá que eu faço-vos isso”.

Criança “não devia ter sido alvo”, diz ex-chefe do contraterrorismo

O ataque que a terá morto foi executado pelo exército americano. Infelizmente, Jojo estaria nesse momento na companhia da mãe, o que o condenou ao mesmo destino que ela. Um antigo chefe da unidade contraterrorista do Ministério da Defesa britânico, major Chapman, comentou: “É difícil, porque segundo as cartas das Nações Unidas ele está abaixo da idade em que poderia ser classificado como soldado”.

“Mesmo que se tenha envolvido em coisas realmente más, não devia ter sido alvo”, continuou Chapman. “Não temos certeza se estava com ela ou não”. Essa possibilidade terá sido a principal porque a morte de Jones não foi publicamente anunciada na altura.

Alcunhada pelo Daesh como a ‘Viúva Branca’, consta que Jones passou a receber do grupo terrorista um salário equivalente a cerca de 576 euros após a morte do marido, de apenas 21 anos.

Há meses, circulou no Reino Unido uma petição pública no sentido de ela ser impedida de regressar ao país. “Sally Jones quer regressar à Grã-Bretanha após ter-se juntado ao Daesh!! É pura loucura sequer considerar isto”, diziam os subscritores, que exigiam a retirada do passaporte e da cidadania a todos os britânicos na mesma situação de Jones.