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Guarda Revolucionária ameaça manifestantes no Irão

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Nos protestos dos últimos três dias, que se têm vindo a espalhar pelo país, as queixas económicas depressa se estenderam à política

Luís M. Faria

Jornalista

O aviso veio da Guarda Revolucionária, o principal esteio do poder clerical no Irão: se as manifestações continuarem como até aqui, serão reprimidas com "mão de ferro".

Não é uma ameaça para tomar de ânimo leve, como sabe quem recorda a repressão brutal que se seguiu aos grandes protestos de 2009 contra a vitória suspeita de Mahmoud Ahmanidejad nas eleições presidenciais deste ano. Desta vez a ira popular tem a ver com a declínio contínuo dos padrões de vida, em especial depois de se constatar que o acordo nuclear com o Ocidente não produziu a melhoria económica que fora prometida.

As manifestações começaram quinta-feira, ao que diz encorajadas pela ala dura do regime, como forma de atacar o presidente Hassan Rouhani, promotor do acordo. Inicialmente reuniram alguns milhares de pessoas em cidades de província, mas rapidamente se estenderam à capital, Teerão, onde cresceram muito e assumiram um carácter mais político, com slogans tanto contra Rouhani como contra os outros poderes no país, incluíndo o "lider supremo", o aiatolá Ali Khamenei.

Com as primeiras notícias de mortes de manifestantes a surgirem sábado à noite nas notícias - para já dois, alegadamente às mãos da polícia - o ministério do Interior avisou a população para não participar em "reuniões ilegais", e o brigadeiro-geral Esmail Kowsari reforçou a mensagem.

"Se as pessoas tivessem vindo para a rua por causa dos preços altos, não teriam cantado aqueles slogans nem queimado carros e propriedade pública", disse à agência noticiosa oficial do país. Entretanto, espera-se no próximo dia ou dois uma intervenção pública de Khamenei sobre a crise.