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Inés Arrimadas: “O nacionalismo não cresce em países que estão bem”

PAU BARRENA/AFP/Getty Images

A líder do partido Ciudadanos (Cidadãos) na Catalunha, protagonista de um feito único nas últimas eleições de 21 de dezembro, defende-se daqueles que a acusam de estar a dar o flanco aos independentistas e acusa os partidos do arco da governação de terem pensado mais em si próprios do que no país

A candidata sensação às eleições catalãs, Inés Arrimadas, 36 anos, conquistou o que o seu partido só tinha até então almejado: ser a força mais votada no dia D na Catalunha. A 21 de dezembro passado, a líder do Cidadãos garantia 25,36% dos votos, um resultado inédito para a formação laranja, que lhe permitiu sentar 36 deputados no Parlamento catalão.

Para trás ficaram todos os outros: JuntsxCat (34 deputados), Esquerra Republicana (32 deputados), PSC (17 deputados), Catalunya en Comú (8 deputados), e PP e CUP (ambos com 4 deputados).

Àqueles que esperam dela a iniciativa de tentar formar governo, Arrimadas pede calma, tranquilidade e um voto de confiança.

Numa entrevista concedida ao jornal “El País”, publicada esta segunda-feira, Arrimadas reafirmou que o seu partido está a fazer “o que tem de ser feito e no momento em que tem de ser feito”.

Questionada sobre a falta de iniciativa que terá dado um sinal aos independentistas de que devem ser eles a tomar o pulso às negociações, a líder do Cidadãos mostra-se convicta de que será difícil um acordo entre os que defendem a independência da Catalunha. “Com pessoas em fuga à justiça, em Bruxelas, na prisão…”

Por outro lado, defende que o seu partido tomou a iniciativa ao reivindicar a presidência do Parlamento da Catalunha, cujas negociações foram iniciadas a 27 de dezembro.

A mulher que abalou o sistema político na região dividida da Catalunha não poupa críticas às estratégias que têm vindo a ser seguidas quer pelo PP como pelo PSOE, os dois partidos do arco da governação. “As estratégias que seguiram foram nefastas para o constitucionalismo na Catalunha e não foram nada acertadas.”

Arrimadas vai pedindo calma, por diversas vezes, no decurso da entrevista. Escuda-se no facto de só agora está a começar o seu trabalho e garante que a sensação de urgência foi criada pelos partidos derrotados do PP e PSOE. “No dia seguinte às eleições lançaram-me o pedido para que tentasse formar governo.” “Porquê? Porque assim não se fala do resultado nefasto que tiveram.”

Para a líder do Cidadãos na Catalunha, há muito que PP e PSOE têm vindo a falhar naquela região autonómica. “Não reformaram Espanha, nem fizeram alterações à lei eleitoral. Estabeleceram pactos com os nacionalistas a troco de olharem para o outro lado e com tudo o que estava a passar-se na Catalunha. Pensaram mais nos seus partidos do que no país. O nacionalismo não cresce em países que estão bem, que se entusiasmam e que estão orgulhosos dos seus símbolos e dos seus êxitos.”

Sobre a possibilidade de chamar defensores da independência na Catalunha para um futuro governo, Arrimadas deixa uma porta entreaberta. “Há pessoas que defendem a independência e não são filiadas em nenhum partido, podendo contribuir à sua maneira para um governo transversal na Catalunha, integrando o projeto que está a faltar neste momento.”