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Zuma está de saída, resta saber quando...

O Presidente Jacob Zuma no 54º Congresso Nacional do ANC

SIPHIWE SIBEKO / Reuters

O núcleo duro do ANC reúne-se hoje pela primeira vez na África do Sul desde a eleição do novo presidente do partido, Cyril Ramaphosa. No topo da agenda: levar o (ainda) Presidente Jacob Zuma a demitir-se

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O núcleo duro do ANC reúne-se esta quarta-feira após a eleição no mês passado do novo líder do partido, Cyril Ramaphosa, com uma agenda que tem no topo o destino do ex-presidente do ANC e ainda Presidente da república, Jacob Zuma.

Com um mandato que não termina antes de 2019, Zuma pode ser obrigado pela direção do ANC a abandonar a presidência depois de o Tribunal Constitucional ter decretado, em 29 de dezembro passado, que o parlamento falhou o seu dever constitucional de criar mecanismos capazes de fazer que o Presidente fosse responsabilizado pela alegada utilização de dinheiros públicos na construção das suas propriedades.

Apesar de gozar ainda de forte apoio de parte da muito dividida direção do Congresso Nacional Africano, Zuma pode ter os dias contados. Sinal disso é o título de um artigo publicado no jornal “Mail & Guardian” de terça-feira: “A questão não é se, mas quando Zuma parte”.

O diário sul-africano descreve o que sustentam pelo menos quatro membros do Comité Executivo Nacional (CEN) do ANC: cabe a Zuma decidir se quer ter uma saída que o destinaria ao “caixote do lixo da história” sem benefícios presidenciais ou uma “saída digna”, com abandono voluntário do cargo.

Esta ideia foi expressa antes da reunião inaugural deste “poderoso corpo” esta quarta-feira em East London, na província de Eastern Cape, ainda que alguns políticos que prestaram declarações ao News24 discordassem que este fosse o momento para tomar decisões relativamente à substituição do atual chefe de Estado. O desejo geral é o de criar as condições necessárias para proporcionar “tábua rasa” ao ANC no ano decisivo antes das eleições nacionais de 2019.

A questão da saída de Zuma terá de passar pelo crivo da diplomacia partidária e Cyril Ramaphosa terá vantagem em garantir que não perderá o apoio dos membros do ANC da circunscrição de KwaZulu-Natal, de onde Jacob Zuma é natural. Uma das formas de Ramaphosa manter este apoio regional é conseguindo levar Zuma a abandonar o cargo em conversações a dois.

Seria bom para o ANC ver partir Zuma, parando assim de ser prejudicado pelos embaraçosos processos que o envolveram ao longo de anos, mas o partido não pode fazê-lo de forma a beliscar o esforço de unificação interna em que o partido tem apostado.