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Insultos, deslealdades, mentiras, lágrimas, laca: 13 excentricidades dentro do livro mais famoso do mundo

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É o livro mais discutido em todo o mundo: “Fire and Fury – Inside the Trump White House”, assinado pelo veterano jornalista Michael Wolff, conta os bastidores do primeiro ano de uma presidência bastante invulgar. Mas o que é que torna este livro especial? Selecionámos 13 excertos que ajudam a explicar o frenesim - e a excentricidade dos eventos retratados

Luís M. Faria

Jornalista

Melania, a quem Trump tinha dado a sua garantia solene (de que ia perder), estava em lágrimas – e não de alegria.

Alegada reação da mulher de Trump na noite eleitoral

“Ele foi à Rússia e achava que se ia encontrar com Putin. Mas Putin não lhe ligou nenhuma. Portanto, ele continuou a tentar.”
“Ele é Donald [Trump]”, disse Ailes.
“É uma coisa magnífica”, disse Bannon.

Steve Bannon, que foi um dos homens mais próximos de Trump, falando com Roger Ailes, ex-diretor da Fox News

Bannon andava a dizer às pessoas que achava que havia 33,3% de chances de que a investigação de Mueller levasse ao impeachment do Presidente, 33,3% de chances de que Trump se demitisse, talvez após uma ameaça feita pelo seu governo de invocar a 25ª emenda (segundo a qual o governo pode remover o Presidente no caso de ele ficar incapacitado), e 33,3% de chances de que ele chegasse ao fim do seu mandato. De qualquer forma, não haveria de certeza um segundo mandato, ou sequer uma tentativa dele.

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Na perspetiva de Bannon: (1) Trump nunca ia mudar; (2) tentar que ele mudasse ia inibir o seu estilo; (3) para os apoiantes dele não importava; (4) de qualquer modo, os media nunca iam gostar dele; (5) era melhor jogar contra os media do que tentar agradar-lhes; (6) a alegação dos media de que eram os protetores da probidade factual era ela mesma falsa; (7) a revolução Trump era um ataque ao conhecimento e presunções convencionais, portanto mais valia abraçar o comportamento de Trump em vez de o tentar curar.

Bannon era desleal (para já não falar do seu aspeto merdoso), Priebus era fraco (para não dizer que era baixo - quase um anão), Spicer era estúpido (e também tinha um ar horrível), Conway era uma chorona. Jared e Ivan nunca deviam ter ido para Washington. alegadas opiniões de Donald Trump sobre os seus assessores mais próximos, reportadas por pessoas a quem ele telefonava à noite

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Jared e Ivanka tinham feito um acordo sério entre eles: se algures no futuro chegasse o momento, seria ela a concorrer à presidência (ou a primeira dos dois a tentar). A primeira mulher Presidente, imaginava Ivanka, não seria Hillary. Clinton, seria Ivanka Trump

Ela [Ivanka Trump] tratava o pai com alguma ligeireza, ironia mesmo, e pelo menos numa entrevista televisiva fez pouco do seu penteado. Descrevia com frequência o mecanismo dele a amigos: o alto da cabeça completamente careca (…) rodeado por um círculo farfalhudo dos lados e à frente, cujas pontas são então puxadas até ao centro e espalhadas a partir daí e fixadas com laca. A cor, notava ela com efeito cómico, vinha de um produto chamado Just for Men. Quanto mais tempo a deixava, mais escura ficava. Era a impaciência que produzia aquela cor loura-alaranjada do cabelo de Trump.

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“Ainda que não achassem que aquilo era traição, ou antipatriótico, ou uma grande merda, e por acaso eu acho tudo isso, deviam ter chamado imediatamente o FBI. Ainda que não quisessem fazer isso, e fossem totalmente amorais e quisessem aquelas informações, iam para um Holiday Inn com advogados.”

Reação de Bannon ao encontro que teve com o filho mais velho de Trump, Don Jr., na Trump Tower com uma advogada russa que lhe prometia informação negativa sobre Hillary Clinton, durante a campanha em 2016

“Quem é a pessoa em que confia? Jared? Quem fala consigo antes de você decidir?”
“Bem”, disse o Presidente, “não vai gostar da resposta, mas a resposta é eu. Eu. Falo comigo próprio”.

Entrevista com o apresentador Joe Scarborough

“O que é este ‘lixo branco?”, perguntou a modelo.
“São pessoas exatamente como eu”, disse Trump, “mas são pobres”.

Conversa com a mulher de um amigo que tinha acabado de dizer que Atlantic City estava cheia de ‘white trash’

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“Numa reunião de uma hora com ele, vais ouvir 54 minutos de histórias, as mesmas repetidamente. Tens de ter um único ponto a tratar e metê-lo quando puderes.”

Conselho dado a Rience Priebus quando ele se tornou o primeiro chefe de gabinete de Trump

Os seus filhos Don Jr. e Eric – a quem insiders, pelas costas, chamavam Uday e Qusay, os nomes dos filhos de Saddam Hussein – pensavam se não poderia haver duas estruturas paralelas na Casa Branca.

Ele era um Presidente poderoso e vingativo, ofendido por quem o perseguia e determinado a proteger a sua família, por sua vez determinada a que ele os protegesse.

Referência à decisão de demitir James Comey, o diretor do FBI, por se recusar a terminar a investigação sobre as ligações da Rússia à campanha presidencial de Trump, e em particular a Jared Kushner, o genro