Internacional

Presidência da UE: Bulgária quer mostrar o que vale enquanto espera por Schengen e pelo euro

Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, e Boyko Borissov, primeiro-ministro da Bulgária, num encontro em Sófia

EPA

A Bulgária assume pela primeira vez a presidência rotativa da União Europeia. Entre a prioridades estão as questões de segurança, a relação com os países dos Balcãs ocidentais e o digital. O país quer mostrar que está pronto para fazer parte do Espaço Schengen e também da zona euro

Um défice de 0% leva o primeiro-ministro búlgaro Boyko Borissov a afirmar que o país que dirige "é exemplar em termos de disciplina orçamental". E tem mais argumentos: a dívida pública da Bulgária é a terceira mais baixa da União Europeia, ronda os 26,8%; o crescimento económico é o quarto mais alto, 3,9%; e a taxa de desemprego está nos 6,4%, abaixo da média europeia (7,8%).

Os números macroeconómicos são positivos, mas o país continua à espera de poder entrar na zona euro. Borissov defende que a Bulgária tem trabalhado para fazer parte do clube, e que, tal como as finanças públicas, também o sistema bancário é estável. "Quanto nos convidarem (para entrar) estaremos prontos", afirma com otimismo. No entanto, reconhece que não sabe ainda quando a porta estará definitivamente aberta.

A Bulgária tem interesse num lugar à mesa do Eurogrupo, e nas decisões que envolvem a moeda única, mas a porta ainda não está aberta para um país que é visto como estando entre os mais pobres da UE. A travar a entrada está uma economia que não está ainda alinhada com os países mais ricos do bloco. O salário mínimo é de 510 lev (260 euros) e o salário médio ronda os 1064 lev (545 euros).Ainda que fora do clube do euro, a Bulgária promete "encorajar o debate sobre o aprofundamento da União Económica e Monetária" durante a presidência que agora começa. A reforma da zona euro é um dos assuntos em cima da mesa europeia, e deverá ganhar maior impulso assim que a Alemanha tiver formado Governo.

Boyko Borisov com Jean-Claude Juncker, que preside à Comissão Europeia

Boyko Borisov com Jean-Claude Juncker, que preside à Comissão Europeia

LUDOVIC MARIN / AFP / Getty Images

É a primeira vez que a Bulgária assume a presidência rotativa. O país entrou no projeto europeu em 2007, juntamente com a Roménia. O professor Antoniy Galabov diz que em 11 anos o país fez "muitos progressos", principalmente nas áreas em que houve integração europeia. Já nas que são de exclusiva competência nacional, "como saúde e educação", considera que há ainda muito por fazer.

A Bulgária, tal como a Roménia, anseia por entrar no Espaço Schengen. Uma decisão que já não tem a ver com o cumprimento de critérios mas com uma decisão política. O próprio presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já defendeu a entrada dos dois países.

"Por vezes, os países não são tratados de forma igual na UE", diz aos jornalistas Lilyana Pavlova, ministra búlgara com a pasta da Presidência da UE, referindo-se à situação romena e búlgara. "Há seis anos que cumprimos os critérios para fazer parte de Schengen", continua, argumentando que o país protege as fronteiras externas (Turquia, Sérvia e Macedónia), "às vezes até melhor do que os países que estão dentro" de Schengen.

Pavlova diz que a Bulgária está à espera da resposta de Bruxelas, mas garante que o país não vai usar a presidência do bloco para pressionar essa entrada. O governo búlgaro aponta outras prioridades, como a relação com os países dos Balcãs ocidentais, sublinhando "uma perspetiva europeia" da questão.

Montenegro, Sérvia, Albânia e Macedónia são candidatos, estando o Montenegro e a Sérvia mais avançados nas negociações de uma adesão que poderia acontecer nos próximos dez anos. Mas não há datas marcadas.

"Não estamos a prometer adesão imediata", diz Pavlova, que reconhece que estes países têm ainda "muito trabalho por fazer", uns mais do que outros. O objetivo era colocar o tema na agenda europeia, algo que já conseguiram.

"É o primeiro sucesso da presidência búlgara", afirma, explicando que está em causa um processo que deverá continuar para além dos seis meses da presidência. Em fevereiro, a Comissão deverá apresentar um plano estratégico sobre o futuro da UE e a relação com os Balcãs Ocidentais, incluindo com o Kosovo e com a Bósnia. Em maio, há uma Cimeira de líderes europeus em Sófia para debater o tema.

Entre as prioridade búlgaras estão também as questões da "segurança e estabilidade na Europa". O país quer ainda dar continuidade ao tema do digital, prioridade que herda da presidência anterior, a Estónia.

Numa altura em que a UE começa a debater o próximo quadro financeiro plurianual – a Comissão deverá avançar com uma proposta em maio – a Bulgária promete também dar importância ao tema.