Internacional

Livreiro de Hong Kong volta a ser detido pelas autoridades chinesas

PHILIPPE LOPEZ / AFP / GETTY IMAGES

Informação foi avançada pela filha de Gui Minhai à Rádio Sweden. Chefe da diplomacia da Suécia diz que o seu governo está a trabalhar na questão “24 horas por dia”

A filha do dono de uma livraria de Hong Kong, que vendia obras críticas do regime de Pequim, diz que o pai foi novamente detido pelas autoridades chinesas, depois de ter sido secretamente detido em 2015.

À Rádio Sweden, Angela Gui disse que o pai, Gui Minhai, seguia num comboio com dois diplomatas suecos quando foi detido por polícias chineses. Gui, que tem dupla nacionalidade, chinesa e sueca, desapareceu no final de 2015, quando passava férias na Tailândia. Era então o dono da “Mighty Current”, editora de Hong Kong conhecida por publicar livros críticos dos líderes chineses.

O livreiro apareceu mais tarde na televisão estatal chinesa CCTV a confessar que se tinha entregado às autoridades pelo atropelamento e morte de uma jovem em 2004. Quatro funcionários na livraria de Gui foram também detidos nos meses seguintes, mas acabaram por ser libertados passado pouco tempo, enquanto Gui permaneceu preso até outubro do ano passado.

Gui foi depois colocado num apartamento na cidade de Ningbo, na costa leste da China, e mantido sob vigilância da polícia, afirmou a filha. A suspeita de que os livreiros foram detidos por homens ao serviço das autoridades chinesas desencadeou uma onda de revolta e preocupação em Hong Kong, por constituir uma flagrante violação do princípio “Um país, dois sistemas”.

Sob esta fórmula, as políticas socialistas em vigor no resto da China não se aplicam em Hong Kong e Macau, (exceto nas áreas da Defesa e Relações Externas, que são da competência do governo central chinês), com os dois territórios a gozarem, em teoria, de “um alto grau de autonomia”.

Gui deslocou-se de comboio até Pequim para um encontro na embaixada da Suécia, mas foi detido por agentes da polícia à chegada à capital, relatou Angela Gui. “É evidente que ele voltou a ser raptado e que se encontra detido num lugar secreto”, disse à agência noticiosa Associated Press (AP).

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Margot Wallström, já veio dizer que o país vai convocar o embaixador chinês para questionar a detenção de Gui. “O governo sueco tem um conhecimento aprofundado sobre o que se passou e está a trabalhar 24 horas por dia nesta questão”, disse a chefe da diplomacia.