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Conselheiro que investigou Bill Clinton diz que Trump pode ser destituído por mentir sobre Mueller

Chip Somodevilla / Getty Images

“Mentir ao povo americano é um assunto muito sério que tem de ser explorado”, defende Ken Starr. “Isto é algo que Bob Mueller deve investigar”

Se Donald Trump mentiu sobre a sua tentativa de despedir o conselheiro especial Robert Mueller, como foi noticiado na semana passada, isso justificaria a abertura de um processo de destituição contra o Presidente norte-americano.

Assim defendeu, este domingo, Ken Starr, o homem que foi nomeado pelo Departamento de Justiça para investigar Bill Clinton quando o democrata estava na presidência por ter mentido sobre o seu caso extraconjugal com a então estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky.

Em entrevista ao programa “This Week” do canal ABC, Starr disse que mentir ao povo norte-americano é um dos piores crimes que um líder pode cometer e que, portanto, as notícias surgidas na semana passada devem ser investigadas a fundo, sobretudo depois de Trump ter classificado estas notícias como “falsas”.

“Mentir ao povo norte-americano é um assunto sério que tem de ser explorado. Para mim, mentir ao povo americano é muito, muito sério, portanto absolutamente”, respondeu quando questionado sobre se as alegadas mentiras do Presidente justificam, em teoria, a sua destituição. “É algo que Bob Mueller deveria investigar.”

No final da semana passada, o “New York Times” avançou, com base em informações de quatro fontes oficiais anónimas, que Trump planeou despedir Mueller um mês depois de este ter sido nomeado para investigar a ingerência russa nas eleições americanas e o alegado conluio entre a campanha de Trump e o Kremlin.

Ao que o NYT apurou, Trump deu ordens ao seu conselheiro legal, Donald McGahn, para que despedisse Mueller em junho, uma ordem que o advogado não quis cumprir e que o levou a ameaçar despedir-se por considerar que essa ação seria catastrófica para a presidência. A notícia foi imediatamente desmentida por Trump a partir de Davos, onde participou no Fórum Económico Mundial no final da semana passada, altura em que voltou a atacar os media e as suas “notícias falsas”.

Em agosto, já tinham surgido rumores sobre os planos do Presidente para afastar o conselheiro especial — tal como fez com o diretor do FBI, James Comey, alimentando as suspeitas (que Mueller já está a investigar) de possível obstrução à Justiça. Na altura, a conselheira da Casa Branca Kellyanne Conway garantiu à ABC que “ele não discutiu o despedimento de Bob Mueller”, e John Dowd, conselheiro legal de Trump, deu a mesma garantia ao USA Today: “Isso nunca esteve em cima da mesa, nunca.”

Também nesse mês, Trump disse aos jornalistas que “nunca pensou sobre isso”, leia-se, sobre a possibilidade de afastar Mueller dos inquéritos. “Não vou despedir ninguém”, garantiu, repetindo isso mesmo várias vezes ao longo dos últimos meses.

Ontem, alguns republicanos alinharam-se com os críticos do Presidente, dizendo que é preocupante que o Presidente tenha planeado despedir Mueller e defendendo que estas suspeitas devem gerar ações no Congresso, em particular a aprovação de legislação para proteger o conselheiro especial, como sugeriu a senadora republicana Susan Collins à CNN.

À ABC, o senador republicano Lindsey Graham disse que despedir Mueller marcaria “o fim da presidência” de Donald Trump. “É muito claro para mim que toda a gente na Casa Branca sabe que seria o fim da presidência Trump se ele despedisse Mueller. [Mas] não vejo indícios de que o Presidente Trump queira despedir Mueller neste momento.”