Internacional

Governo dos EUA autoriza permanência de 6900 sírios no país até julho de 2019

Em janeiro centenas de imigrantes e ativistas manifestaram-se frente à Casa Branca em defesa do Estatuto de Proteção Temporária (TPS)

ANDREW CABALLERO-REYNOLDS

Medida só se aplica aos cidadãos do país em guerra que chegaram aos Estados Unidos antes de agosto de 2016, ao abrigo do Estatuto de Proteção Temporária – um programa humanitário que a administração Trump cancelou parcialmente no início do ano para acabar com o acolhimento de haitianos, salvadorenhos e nicaraguenses

A administração de Donald Trump decidiu alargar a proteção temporária de 6900 cidadãos sírios que estão instalados nos Estados Unidos por causa da guerra civil que continua em curso no seu país de origem.

Protegidos pelo chamado Estatuto de Proteção Temporária (TPS), a medida prevê o alargamento dessa proteção por 18 meses aos sírios que chegaram ao território norte-americano até agosto de 2016. Os que chegaram depois ou que procurem refúgio nos EUA a partir de agora deixam de estar abrangidos pelo programa.

A decisão surge depois de o governo ter decidido cancelar o TPS para os cidadãos de El Salvador, Haiti e Nicarágua, depois de o Presidente ter alegadamente classificado essas nações como "países de merda" durante uma reunião com legisladores democratas e republicanos.

Criado em 1990, o TPS permite que imigrantes de dez países considerados "inseguros" possam viver e trabalhar legalmente nos EUA, com centenas de milhares de pessoas a recorrerem a esse programa por causa de desastres naturais ou guerras civis como aquela que já causou centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados e refugiados na Síria desde março de 2011.

As proteções aos sírios iam expirar a 31 de março, mas serão agora alargadas por mais 18 meses, até ao final de setembro de 2019. "É claro que as condições que estão na base da designação da Síria [como país-alvo do TPS] continuam a existir, portanto justifica-se uma extensão [da proteção dos sírios] sob esse estatuto", declarou Kirstjen M Nielsen, chefe do Departamento de Segurança Nacional. "Vamos continuar a avaliar o estatuto de cada país abrangido pelo TPS numa base individual", acrescentou em comunicado.

No início de janeiro, o Departamento chefiado por Nielsen ditou o fim da proteção de 262.500 salvadorenhos 18 meses antes de o prazo de revisão expirar, pondo as vidas de muitas dessas pessoas em risco, em particular mulheres. Antes disso, em novembro, a administração Trump já tinha anunciado que o estatuto dos haitianos e dos nicaraguenses abrangidos pelo TPS também vai acabar em 2019.