Internacional

Para acabar com “desunião e discórdia”, ANC vai forçar Zuma a abdicar do poder

Zuma é Presidente da África do Sul há quase dez anos

Drew Angerer / Getty Images

Assim avança o correspondente da BBC na África do Sul, esta segunda-feira, dia em que os líderes do partido governamental vão reunir-se para decidir o futuro do Presidente, que enfrenta uma série de acusações de corrupção

Os líderes do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido que está no poder na África do Sul desde o fim do apartheid, em 1991, vão reunir-se, esta segunda-feira, para decidirem o futuro do atual Presidente do país, Jacob Zuma, que continua sob crescentes pressões para abdicar do poder.

Segundo o correspondente da BBC no país, a Comissão Nacional Executiva (CNE) do partido vai exigir a Zuma que renuncie à presidência, depois de, no domingo, o novo secretário-geral do partido, Cyril Ramaphosa, ter reconhecido que as acusações de corrupção ao Presidente e o recente braço-de-ferro entre este e as chefias do ANC estão a causar “desunião e discórdia”.

Ramaphosa é apirante à presidência da África do Sul pelo ANC, partido que lidera desde dezembro

Ramaphosa é apirante à presidência da África do Sul pelo ANC, partido que lidera desde dezembro

RODGER BOSCH

“Sabemos que vocês querem o fim disto”, declarou Rampahosa diante de uma multidão reunida na Cidade do Cabo para celebrar os 100 anos do nascimento de Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro da África do Sul. “Como já terão ouvido, a CNE do ANC vai reunir-se amanhã [segunda-feira] e, porque o povo quer ver isto encerrado, é precisamente isso que a CNE vai fazer.”

Analistas apontam que se os membros da comissão chegarem a acordo para revogar a presidência de Zuma, este não terá grandes hipóteses de resistir ao ditame. O Presidente, atualmente com 75 anos e no poder há quase dez, enfrenta uma série de acusações de corrupção e tem estado sob crescentes pressões para se demitir desde dezembro, quando Ramaphosa, o seu vice-presidente, foi escolhido pelos membros do ANC para assumir a liderança do partido.

As pressões não se limitam ao ANC nem aos seus apoiantes, com a Fundação Nelson Mandela a pedir a Zuma, na semana passada, que resigne “rapidamente” à presidência para evitar um “conflito violento” no país. Em comunicado, a organização sem fins lucrativos também fez questão de sublinhar que o afastamento do atual Presidente “pode não ser suficiente” para acabar com a “profunda rede de corrupção” instalada na política e nos negócios da África do Sul.