Internacional

África do Sul declara estado de catástrofe natural em todo o país devido à seca

Habitantes da Cidade do Cabo fazem o que podem para viver no meio de uma das maiores crises de falta de água no país

Morgana Wingard/Getty Images

A água poderá deixar de correr nas torneiras da Cidade do Cabo, a zona mais atingida pela seca extrema, no início do mês de maio

As autoridades sul-africanas proclamaram hoje o estado de catástrofe natural em todo o país devido à seca histórica que assola a África do Sul há vários meses e em particular a região da Cidade do Cabo, ameaçada de ficar sem água potável.

Segundo a AFP, a decisão, publicada hoje, foi tomada depois de uma “reavaliação da amplitude e da gravidade da seca atual”, e confia a partir de agora a gestão da crise ao Governo.

Todas as instituições sob alçada do Estado estão, daqui em diante, mandatadas para pôr em prática “os planos de emergência, a ajuda imediata e as medidas de construção” necessárias, segundo o decreto assinado pelo chefe do Centro Nacional de Gestão de Situações de Emergência, Mmaphaka Tau.

A Cidade do Cabo, a segunda maior da África do Sul, está a ser assolada pela pior seca no último século, estando as reservas de água de tal forma baixas que se prevê que as torneiras fiquem secas.

As autoridades sul-africanas tinham apontado o dia 11 de abril como o 'Dia Zero', o primeiro dia em que faltaria água nas torneiras, tendo depois recalculado para dia 11 de maio. Entretanto o prazo voltou a ser adiado. A meio da manhã desta terca-feira, a agência EFE citou as declarações do líder do partido da oposição Alianza Democrática - que governa a região do Cabo Ocidental -, Mmusi Maimane: “Celebramos juntos a notícia de que o 'Dia Zero' foi empurrado para 04 de junho de 2018 como resultado do consumo médio mais baixo até ao momento, de 529 milhões de litros por dia, durante a semana passada”.

Os sucessivos adiamentos deveram-se, essencialmente, ao declínio no uso de água para fins agrícolas, porque muitas quintas nalgumas províncias, que incluem a própria cidade, escolheram usar as reservas que lhes foram alocadas em vez de usar água corrente.

As autoridades avisaram os habitantes para, ainda assim, continuarem a cumprir as indicações oficiais, que limitam o uso de água a 50 litros por pessoa.

A situação é grave, como o Expresso apurou junto do consulado português na Cidade do Cabo. Segundo uma nota enviada esta segunda-feira, o Consulado-Geral de Portugal naquela cidade confirmou que “os níveis de água nas barragens de abastecimento encontram-se a 25%” da sua capacidade total e as autoridades locais têm tentado reduzir “o consumo de água para níveis não superiores aos 450 milhões de litros/dia". Atualmente o consumo ainda está acima dos 500 milhões litros/dia.

No mesmo comunicado pode ainda ler-se que “o impacto da seca poderá fazer com que a Cidade do Cabo venha a ser a primeira grande cidade do mundo a ficar sem água”.

Se o 'Dia Zero' se concretizar os habitantes da Cidade do Cabo deverão abastecer-se nos 200 pontos de recolha de água, onde podem receber, no máximo, 25 litros de água por dia por cada pessoa.

A grave seca que atinge a zona é um fenómeno invulgar, já que não só deriva da escassez de precipitação que caracterizou a passada estação de chuvas (abril-outubro), como do facto de o nível de chuva ter sido particularmente baixo também nos dois anos anteriores.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), só num duche de cinco minutos gastam-se cerca de 100 litros de água.

[Notícia atualizada às 14h10]