Internacional

Robert Mueller já entrevistou Bannon sobre ligações de Trump à Rússia

Alex Wong

Conteúdo da entrevista a dois tempos, que terá durado cerca de 20 horas no total, ainda não é conhecido. Na quinta-feira, o ex-chefe de estratégias da Casa Branca de Trump voltou a recusar-se a prestar depoimento na Câmara dos Representantes sobre o alegado conluio entre a campanha republicana e o Kremlin

O ex-chefe de estratégias da Casa Branca de Donald Trump, Steve Bannon, foi entrevistado durante mais de 20 horas esta semana pelo conselheiro especial que está conduzir inquéritos à ingerência da Rússia nas presidenciais de 2016 e ao alegado conluio entre a equipa do atual Presidente norte-americano e o Kremlin.

Ao longo de dois dias, Bannon esteve a ser interrogado por Robert Mueller, o antigo diretor do FBI que foi nomeado pelo Departamento de Justiça para liderar estas investigações após Trump ter despedido James Comey da chefia da agência federal, em maio do ano passado.

Antes de ser nomeado chefe de estratégias da administração, Bannon foi diretor da campanha presidencial de Trump entre agosto de 2016 e a ida às urnas em novembro desse ano. Abandonaria o seu cargo no governo federal em agosto de 2017, perante alegadas tensões com outros conselheiros do Presidente.

Os media norte-americanos apontam que a equipa de Mueller acredita que Bannon detém informações cruciais sobre a administração Trump que podem provar-se muito úteis para os inquéritos, em particular pormenores sobre o afastamento de Comey do FBI — um despedimento que levou vários críticos e opositores a acusarem o Presidente Trump de obstrução à Justiça.

No rescaldo disso, Comey foi ao Congresso garantir que não tem "quaisquer dúvidas" sobre ter sido afastado porque Trump queria "mudanças" na investigação à Rússia, uma alegação que a Casa Branca e o próprio Presidente continuam a refutar.

Para já, não se sabe qual foi o teor da conversa entre Bannon e Mueller, com fontes a garantirem que a entrevista a dois tempos demorou cerca de 20 horas a estar concluída. Uma fonte ligada ao processo garantiu ontem à Associated Press que o ex-conselheiro da Casa Branca respondeu a todas as questões que lhe foram colocadas.

O inquérito de Mueller está a decorrer a par de outras quatro investigações a serem conduzidas por legisladores da Câmara dos Representantes e do Senado. Na quinta-feira, Bannon foi prestar depoimentos à comissão de serviços de informação da câmara baixa do Congresso, uma das quatro que estão a investigar as alegadas ligações entre a equipa de campanha de Trump e a Rússia de Vladimir Putin.

Tal como aconteceu em janeiro, quando compareceu diante da mesma comissão e recusou responder a quaisquer perguntas sob alegadas "instruções da Casa Branca", Bannon voltou a recusar-se a prestar depoimento, optando por entregar aos legisladores respostas por escrito a 25 perguntas que lhe foram enviadas pela comissão e pré-aprovadas pela Casa Branca.

Isto levou os principais democratas dessa comissão a abrirem um processo contra Bannon por desobediência. "Houve uma recusa em responder a quaisquer questões que teriam conduzido aos factos", acusou o democrata Adam Schiff. "Não é assim que funciona o privilégio, é assim que funciona a obstrução [a investigações]." No Twitter, o democrata Joaquin Castro teceu as mesmas acusações a Bannon.

Alguns membros do partido que ajudou a eleger o Presidente Trump e que atualmente controla as duas câmaras do Congresso também alinharam com as críticas. Foi o caso do republicano Mike Conaway, que ontem explicou que os legisladores não ficaram satisfeitos com as respostas de Bannon. "Ele não respondeu a todas as perguntas que queríamos ver respondidas, portanto houve frustração entre os membros da comissão quanto a isso."