Internacional

Amnistia Internacional acusa Trump de violar Direitos Humanos “em casa e no estrangeiro”

Relatório anual da Amnistia foi apresentado em Paris e simultaneamente em Washington

FRANCOIS GUILLOT

No seu relatório anual, o grupo critica as políticas do “ódio” estimuladas pelo Presidente norte-americano e pelos atuais líderes da Rússia, das Filipinas, da Venezuela, da China e do Egito. Em contraste, a ONG destaca a galvanização de ativistas e manifestantes em todo o mundo em resposta a estas “políticas regressivas”

A Amnistia Internacional acusou esta semana Donald Trump de violações de Direitos Humanos, colocando-o na lista de líderes duramente criticados no seu relatório anual por estimularem políticas de "ódio". "O Presidente Trump tem agido de uma forma que viola os Direitos Humanos em casa e no estrangeiro", refere o grupo no documento de 400 páginas onde rastreia a situação dos Direitos Humanos em 159 países do mundo durante o ano passado.

O relatório foi apresentado na quarta-feira em Paris e simultaneamente em Washington D.C., a primeira vez que a ONG escolheu a capital norte-americana para este evento. O líder norte-americano surge integrado num grupo de atuais Presidentes que merecem destaque no documento pelas piores razões, entre eles Rodrigo Duterte das Filipinas, Abdel Fattah al-Sisi do Egito, Xi Jinping da China, Vladimir Putin da Rússia e Nicolás Maduro da Venezuela.

"Os espectros do ódio e do medo estão agora a marcar em grande medida os assuntos mundiais e temos cada vez menos governos a defender os Direitos Humanos nestes tempos perturbadores", declarou Salil Shetty, secretário-geral da Ammistia. "Em vez disso, líderes como Al-Sisi, Duterte, Maduro, Putin, Trump e Xi estão a minar de forma insensível os direitos de milhões [de pessoas]."

Como é referido no próprio site da organização, "com o lançamento do relatório em Washington D. C., a Amnistia Internacional avisou que os retrocessos do Presidente Trump quanto aos Direitos Humanos estão a abrir um precedente perigoso para outros governos". Entre as críticas tecidas ao líder norte-americano, o relatório refere que a medida anti-muçulmanos por ele implementada poucos dias depois de ter tomado posse — uma medida que proibia a entrada nos EUA de imigrantes de seis países islâmicos — foi "claramente uma jogada de ódio". "Criou as condições para um ano em que líderes conduziram as suas políticas de ódio para o seu mais perigoso desenlace", referiu ontem Shetty.

Entre as situações mais preocupantes e as violações mais graves que surgem citadas no relatório de 400 páginas, a Amnistia destaca a "horrenda campanha militar de limpeza étnica" que está a ser executada contra muçulmanos Rohingya em Myanmar; os "crimes contra a humanidade" e crimes de guerra cometidos no Iraque, no Sudão do Sul, na Síria e no Iémen; as tentativas de reversão dos direitos das mulheres nos EUA, na Rússia e na Polónia; a crescente perseguição de comunidades LGBT na Tchetchénia e no Egito; o "desdém" pelos Direitos Humanos que tem caracterizado a campanha anti-drogas de Duterte nas Filipinas; as restrições no acesso ao aborto para as mulheres da Irlanda do Norte; e ainda os poderes reforçados da polícia britânica no âmbito do combate ao terrorismo.

A Amnistia critica ainda o que classifica como uma "resposta débil" dos líderes mundiais face às várias violações de Direitos Humanos denunciadas ao longo do ano e também a predisposição de vários deles para recorrerem às "notícias falsas" para manipularem a opinião pública. Em contraponto, o grupo destaca o trabalho de ativistas e de movimentos de protesto que têm surgido em todo o mundo inspirados por estas "políticas regressivas".